“Vidas Secas” é considerada, ao lado de “Memórias do Cárcere”, uma das maiores obras do escritor alagoano Graciliano Ramos. O livro traz personagens inesquecíveis como Fabiano, Sinhá Vitória, o menino mais velho, o menino mais novo e Baleia, a cachorra, que parece ter mais sensibilidade que a família em si. Publicado em 1938 retrata a dura vida do retirante nordestino lutando pela sobrevivência e fugindo das intempéries da seca. Graciliano faz uma crítica social à miséria do sertão nordestino e como o próprio nome do livro diz “Vidas”, sugere abundância e “Secas”, tem o sentido de penúria, de falta.
É impossível ficar imune à emoção dessa família, seca como o clima, que quase não fala e onde a cachorra Baleia faz contraponto à animalização da família. É a vida no sertão, sem chuvas, sem perspectivas, um caminhar sem fim, fugindo sem destino de um destino inglório.
Um livro que deveria ser lido por todos os brasileiros.
Malu Pedarcini
Espaço destinado as minhas poesias e aos meus textos, às lembranças das muitas viagens que fiz por esse mundo de Deus e fotos, muitas fotos.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Plínio Marcos, o bendito maldito
“Nenhum tesouro está seguro em seus cofres, quando um pai escuta o seu filho chorando de fome.”
Tive a honra de conhecê-lo, de ter conversado com ele muitas vezes enquanto folheava seus livros em uma banquinha que ele armava na entrada da universidade onde eu estudava. Comprei alguns, mas o que eu gostava mesmo era de ouvi-lo contar suas histórias, entremeadas de palavrões, impublicáveis. Dessa época ele disse certa vez: “voltei às minhas origens de camelô, vendo meus livros na rua para sobreviver.”
Fazia palestras também e afirmava que “quando tem palestra, aí é melhor, porque camelô que fala vende mais”. Se autointitulava um camelô da literatura. Ali naquela banquinha improvisada nem parecia um dos mais premiados autores de livros e peças do Brasil. Muitas delas traduzidas e encenadas em outras línguas como francês, espanhol, inglês e alemão. Foi tese de estudos em sociolinguística, semiologia, psicologia da religião, dramaturgia e filosofia, em universidades do Brasil e do exterior. Recebeu os principais prêmios nacionais em todas as atividades que abraçou em teatro, cinema, televisão e literatura, como ator, diretor, escritor e dramaturgo. Esse cara extremamente talentoso, na infância era tido como débil mental. Não conseguia aprender. Seu poder de concentração era nenhum. Para sobreviver foi funileiro, palhaço, camelô, ator, técnico de TV, jogador de futebol, tarólogo, escritor, jornalista. Muita coisa para quem detestava estudar e levou cerca de 10 anos para terminar o curso primário. Mas, o talento se sobrepôs às dificuldades e o mundo pode conhecer o irreverente, o cáustico, o desbocado Plínio Marcos. Considerado por muitos como um autor maldito, soube como ninguém retratar a vida dos submundos de São Paulo. Colocava autenticidade nos seus textos que abordavam o homossexualismo, a marginalidade, a prostituição e a violência. Esse “inimigo do sistema”, como era conhecido pela ditadura militar, morreu em novembro de 1999, aos 64 anos, vitimado por um derrame. O Brasil perdia ali um dos maiores teatrólogos do século XX.
Malu Pedarcini
Estrela cadente
Estrelas cadentes...
Que chegam de repente.
Assim, de surpresa...
Envolvem no seu rastro
Rompendo o explendor
da noite.
Trazem em suas asas
Sonhos, pedidos.
Serão atendidos?
Sim? Não? Quem sabe?
Não importa...
O que importa de fato,
é sonhar.
Que chegam de repente.
Assim, de surpresa...
Envolvem no seu rastro
Rompendo o explendor
da noite.
Trazem em suas asas
Sonhos, pedidos.
Serão atendidos?
Sim? Não? Quem sabe?
Não importa...
O que importa de fato,
é sonhar.
Malu Pedarcini
Exclusão social
Segundo o professor de Sociologia, Elimar Pinheiro Nascimento “o excluído não é apenas aquele que se encontra em situação de carência material, mas aquele que não é reconhecido como sujeito, que é estigmatizado, considerado nefasto ou perigoso à sociedade”.
Mas, afinal o que é exclusão social? Exclusão social é estar desempregado, é não ter moradia ou mesmo morar na rua ou favela, é não ter oportunidade à saúde, educação, previdência? Sim, é tudo isso e muito mais. É a distribuição desigual do produto social, a desigualdade de acesso a empregos, terra e aos serviços de educação e saúde, oportunidades de participação social e cultural. Também é o preconceito e a discriminação contra negros, índios, mulheres e pobres em geral. E nesse contexto cresce a violência urbana e surge uma nova sociedade.
Os ricos se protegem com carros blindados, grades de ferro e guardas particulares em suas residências enquanto os pobres e os sem teto são encurralados para a periferia das grandes cidades.
Com essa perda de capital social e humano, a sociedade se torna incapaz de superar os desafios do desenvolvimento. E o capital social tem influência decisiva no cumprimento das normas e leis, no comportamento cívico, no respeito aos outros, da propriedade particular e pública e no engajamento em iniciativas comunitárias, como conselhos de escola e de centros de saúde.
Uma das tarefas mais urgentes para criar e expandir o capital social é investir nos jovens, na educação, ao mesmo tempo desenvolvendo atividades culturais e esportivas – corais, orquestras, dança, teatro, ginástica, capoeira, competições atléticas – com a juventude da periferia urbana.
Portanto, a construção só pode vir pela recuperação do espaço da exclusão, pela valorização das realidades que, por não se reprimir à lógica capitalista, podem oferecer resistência necessária para abrir caminhos para a efetiva cidadania.
Malu Pedarcini
Grande escalada
Eu e minha amiga Sandra subindo o Cerro Catedral em Bariloche, na Argentina, de teleférico - setembro de 1989
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Sei lá, as rosas não falam
"Queixo-me às rosas,
mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti"
mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti"
Angenor de Oliveira. Assim mesmo, com "ene", foi um dos maiores compositores do Brasil e pasmem, estudou apenas até o antigo curso primário. O apelido de “Cartola” ele ganhou por usar um chapéu coco na sua juventude para se proteger do cimento, pois era ajudante de pedreiro. Uma de suas canções mais lindas nasceu de uma pergunta de sua mulher, dona Zica, que vendo uma infinidade de rosas que nasciam no jardim perguntou a ele se sabia o motivo. “Sei lá, as rosas não falam”, teria respondido à mulher. Alguns dias depois estava pronta a obra-prima do maior sambista da Estação Primeira da Mangueira.
Malu Pedarcini
Bem perto do céu
No topo do morro do Cantagalo em Burarama, no Espírito Santo (minha irmã Graça, minha sobrinha Daniela, eu e minha prima Ana Maria) - julho de 1980
Coroas
Mirian Goldenberg, 51, é antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com uma vasta lista de publicações literárias. Entre elas, destaca-se o título “Coroas” que aborda como a mulher de 50 anos se enxerga hoje. Para fundamentar sua obra ela entrevistou brasileiras, alemãs e espanholas e chegou às seguintes conclusões: “as mulheres de 50 anos se equilibram entre duas forças, de um lado, há o peso dos anos, de outro, a conquista da liberdade – inclusive a de não ter obrigação de provar nada”. Para Mirian, as mais realizadas são aquelas que não deixam o tempo atropelar os projetos individuais – e as que gostam do corpo, com suas imperfeições e mudanças. Ela diz que as brasileiras se preocupam mais com a decadência do corpo e os homens. Diz ela: “O corpo aparece de duas maneiras: problemas de saúde como artrites e dores na coluna e, especialmente, com relação à aparência. Essas mulheres não são mais jovens e raramente são magras, ficando longe do padrão valorizado – o que constitui um problema. Em relação aos homens, as solteiras ou separadas queixam-se das mesmas coisas das de 30 ou 40 anos: a dificuldade de encontrar parceiro. Dizem que os interessantes estão casados. As casadas queixam-se das faltas de seus maridos – falta de sexo, de companheirismo ou de dinheiro”. Sobre essas mulheres de 50 ou mais que buscam a felicidade Mirian conclui que quando se tem um projeto próprio que não começa aos 50, mas muito antes, as chances são bem maiores. “Quando elas percebem o envelhecimento como uma continuidade desse projeto e não como uma ruptura ou como um momento de mudanças e quando não aceitam as classificações e os estigmas sociais e fazem da própria vida uma permanente invenção, com certeza terão uma vida mais produtiva e feliz”. Afirma também que quando se gosta do próprio corpo com suas imperfeições e mudanças e não se paralisam ou querem imitar modelos de corpo, comportamento e desejos dos mais jovens, a idade não vai pesar. O livro é bem abrangente e traz muito mais informações como realização profissional, sexualidade, casamento, solidão e preconceitos. Recomendo a leitura.
Malu Pedarcini
Aceitação
Existe um único segredo para um relacionamento ser feliz, duradouro e bem-sucedido: o poder da aceitação. Aceitação não significa que concordemos com o comportamento ou com as faltas da outra pessoa; significa simplesmente aceitá-la da maneira que é, sem trabalhar a vida inteira tentando mudá-la, assim como aceitamos nossa maneira de ser, com nossas falhas. Ao aceitarmos a outra pessoa pelo que ela é, e não como gostaríamos que fosse, a energia usada para criticar pode ser utilizada para construir e alimentar o relacionamento. É preciso que haja um entendimento que nada se faz sozinho, que é necessário que ambos tenham a mesma visão e que trabalhem para que isso aconteça.
Malu Pedarcini
Malu Pedarcini
O direito à educação
De acordo com a Constituição da UNESCO o direito à Educação é um direito humano fundamental e ocupa um lugar central nos Direitos Humanos e é essencial e indispensável para o exercício de todos os outros direitos humanos e para o desenvolvimento. Baseados nisso como podemos transformar o conhecimento em um bem público e elaborar novas políticas regionais para a educação superior no Brasil?
Sabemos que a universidade brasileira atravessa um momento difícil, resultado de um contexto socioeconômico não adaptado para a realidade contemporânea. Isso faz com que os currículos tenham que ser rediscutidos, pois não se encaixam à expectativa dos alunos e à realidade do País. Outra consequência dessa inadequação é o fato do mercado de trabalho não absorver a massa de profissionais formados. Isso ocorre em virtude da falta de planejamento e localização e opções de cursos oferecidos pelas faculdades. Além disso tudo, ainda há o problema da elitização do ensino, visto que a grande maioria das faculdades pertence às redes particulares e cobram taxas altas para a população estudantil de baixa renda. Por outro lado as poucas instituições de ensino gratuito existentes têm seu acesso restrito aos estudantes provenientes das classes mais abastadas, pois eles têm mais condições de disputar uma vaga em função de ter tempo e condições financeiras para se prepararem para os vestibulares tão concorridos.
Isso acontece desde a chegada ao Brasil da família real portuguesa. A educação no Brasil, já nasceu sob o signo da distinção social. Os portugueses proibiram a instalação das universidades na colônia, formando assim, uma resistência à ideia de um projeto de ensino no país, principalmente quando, naquele período, os portugueses mandavam seus filhos estudarem em Coimbra. A dificuldade do acesso à universidade pela população menos favorecida, a falta de investimento, os baixos salários dos professores fazem parte do cotidiano e constituem um fator de desmotivação.
O que se vê por aí são universidades sem as mínimas condições de oferecer conhecimento e formação para que o aluno seja um bom profissional. Na prática isso se traduz nos milhares de formandos em Direito que não conseguem passar no exame da OAB, em médicos antiéticos, em engenheiros que fazem cálculos errados, em resumo, profissionais sem condições de exercer a profissão colocando em risco a vida de pessoas.
Malu Pedarcini
Sabemos que a universidade brasileira atravessa um momento difícil, resultado de um contexto socioeconômico não adaptado para a realidade contemporânea. Isso faz com que os currículos tenham que ser rediscutidos, pois não se encaixam à expectativa dos alunos e à realidade do País. Outra consequência dessa inadequação é o fato do mercado de trabalho não absorver a massa de profissionais formados. Isso ocorre em virtude da falta de planejamento e localização e opções de cursos oferecidos pelas faculdades. Além disso tudo, ainda há o problema da elitização do ensino, visto que a grande maioria das faculdades pertence às redes particulares e cobram taxas altas para a população estudantil de baixa renda. Por outro lado as poucas instituições de ensino gratuito existentes têm seu acesso restrito aos estudantes provenientes das classes mais abastadas, pois eles têm mais condições de disputar uma vaga em função de ter tempo e condições financeiras para se prepararem para os vestibulares tão concorridos.
Isso acontece desde a chegada ao Brasil da família real portuguesa. A educação no Brasil, já nasceu sob o signo da distinção social. Os portugueses proibiram a instalação das universidades na colônia, formando assim, uma resistência à ideia de um projeto de ensino no país, principalmente quando, naquele período, os portugueses mandavam seus filhos estudarem em Coimbra. A dificuldade do acesso à universidade pela população menos favorecida, a falta de investimento, os baixos salários dos professores fazem parte do cotidiano e constituem um fator de desmotivação.
O que se vê por aí são universidades sem as mínimas condições de oferecer conhecimento e formação para que o aluno seja um bom profissional. Na prática isso se traduz nos milhares de formandos em Direito que não conseguem passar no exame da OAB, em médicos antiéticos, em engenheiros que fazem cálculos errados, em resumo, profissionais sem condições de exercer a profissão colocando em risco a vida de pessoas.
Malu Pedarcini
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Araci, a heroína brasileira
O nome de João Guimarães Rosa é conhecido de norte a sul do Brasil. Um dos maiores escritores do país, seus personagens são inesquecíveis. Mas e de Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, alguém já ouviu falar?
Para quem não sabe, Araci foi o grande amor e a grande companheira do escritor. Dizem que o personagem “Diadorim” do livro “Grande Sertão, Veredas” foi inspirado nela.
Ela nasceu em Rio Negro no Paraná e desde cedo sua beleza e bondade sobressaíram.
Casou-se cedo, porém o casamento não deu certo e foi viver com uma tia na Alemanha, já que mulheres separadas não eram bem vistas por aqui. Foi trabalhar no consulado brasileiro, na seção de vistos, e lá conheceu Guimarães Rosa, também separado, que era diplomata. Em plena Segunda Guerra, esta mulher corajosa se arriscou para salvar vidas. No ano de 1938, tinha entrado em vigor, no Brasil, a célebre circular secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no país. Araci nem deu bola para a tal circular.
Como ela despachava com o cônsul, dava um jeito de misturar junto com os demais papeis, os vistos para os judeus. Desta forma, ela conseguiu salvar centenas de pessoas. O marido, nunca colaborou com isso, mas a apoiava completamente.
Seu coração generoso foi mais além. Na época, a Alemanha vivia um racionamento de comida e, os judeus recebiam uma quantidade menor de alimentos. Aracy passou a alimentá-los com a cota extra que recebia no Consulado. Ia de casa em casa distribuindo comida. Dizem que Guimarães Rosa a acompanhava nessas distribuições, mesmo morrendo de medo pelo que poderia acontecer com sua mulher.
Anos mais tarde, em 1968, Araci pode demonstrar de novo sua coragem ao abrigar no seu apartamento artistas perseguidos pela ditadura militar.
Aracy é a única mulher brasileira que tem o nome no Museu do Holocausto, em Jerusalém. Lá, há uma árvore plantada em sua homenagem no chamado Jardim dos Justos, onde são citados outros protetores famosos, como Oskar Schindler.
Ela viveu com Guimarães Rosa, por 30 anos, até 1967, quando ele faleceu e hoje essa mulher admirável, que fez cem anos em 2008, infelizmente não se lembra de mais nada, pois o Mal de Alzheimer destruiu sua memória.
Malu Pedarcini
Para quem não sabe, Araci foi o grande amor e a grande companheira do escritor. Dizem que o personagem “Diadorim” do livro “Grande Sertão, Veredas” foi inspirado nela.
Ela nasceu em Rio Negro no Paraná e desde cedo sua beleza e bondade sobressaíram.
Casou-se cedo, porém o casamento não deu certo e foi viver com uma tia na Alemanha, já que mulheres separadas não eram bem vistas por aqui. Foi trabalhar no consulado brasileiro, na seção de vistos, e lá conheceu Guimarães Rosa, também separado, que era diplomata. Em plena Segunda Guerra, esta mulher corajosa se arriscou para salvar vidas. No ano de 1938, tinha entrado em vigor, no Brasil, a célebre circular secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no país. Araci nem deu bola para a tal circular.
Como ela despachava com o cônsul, dava um jeito de misturar junto com os demais papeis, os vistos para os judeus. Desta forma, ela conseguiu salvar centenas de pessoas. O marido, nunca colaborou com isso, mas a apoiava completamente.
Seu coração generoso foi mais além. Na época, a Alemanha vivia um racionamento de comida e, os judeus recebiam uma quantidade menor de alimentos. Aracy passou a alimentá-los com a cota extra que recebia no Consulado. Ia de casa em casa distribuindo comida. Dizem que Guimarães Rosa a acompanhava nessas distribuições, mesmo morrendo de medo pelo que poderia acontecer com sua mulher.
Anos mais tarde, em 1968, Araci pode demonstrar de novo sua coragem ao abrigar no seu apartamento artistas perseguidos pela ditadura militar.
Aracy é a única mulher brasileira que tem o nome no Museu do Holocausto, em Jerusalém. Lá, há uma árvore plantada em sua homenagem no chamado Jardim dos Justos, onde são citados outros protetores famosos, como Oskar Schindler.
Ela viveu com Guimarães Rosa, por 30 anos, até 1967, quando ele faleceu e hoje essa mulher admirável, que fez cem anos em 2008, infelizmente não se lembra de mais nada, pois o Mal de Alzheimer destruiu sua memória.
Malu Pedarcini
Inesquecível
Matéria sobre a inesquecível Drª Zilda Arns que eu entrevistei em maio de 2009 para o jornal Gazeta Maringaense.
Reciclar é o caminho
Mais de 50% do que descartamos por considerar lixo pode ser reutilizado ou reciclado. Se considerarmos que um recipiente de vidro demora 4.000 anos para se decompor na natureza e uma latinha de alumínio de 80 a 100 anos corremos o risco de dentro de pouco tempo ver nosso Planeta soterrado de lixo.
E nós como cidadãos o que podemos fazer para modificar esta triste realidade? Reciclar é claro. E o que significa reciclar? O termo reciclar significa transformar objetos materiais usados em novos produtos para o consumo. Essa é uma necessidade que surgiu por pessoas comuns e alguns governantes preocupados com a preservação e sabedores dos benefícios que a reciclagem apresenta para o nosso planeta.
O processo de reciclagem além de preservar o meio ambiente também gera renda para os menos favorecidos. É benéfico ainda para as indústrias, pois elas diminuem o custo de produção de seus produtos. No Brasil, a reciclagem ainda engatinha. Uma pesquisa do governo federal mostra que apenas 0,8% do lixo são reciclados. O balanço feito em 2008 abrange 247 municípios. E nesse universo, é impensável falar em reciclagem sem citar os catadores de materiais e suas cooperativas. Calcula-se que existam de 300 mil a 1 milhão de catadores em atividade no país.
Enquanto o mundo inteiro discute esse problema ainda existem governantes e autoridades que tratam a situação com descaso, não dando a importância que o assunto merece. Esquecem que as cooperativas são verdadeiros centros de reabilitação social e promoção de cidadania, pois possibilitam a geração de renda para uma parcela da população socialmente excluída e sem instrução. Elas cumprem um importante papel de desenvolvimento sustentável da sociedade brasileira. Não seria a hora do poder público rever seus conceitos de crescimento com cidadania e colocar em prática de forma efetiva uma nova maneira de governar, dando mais ênfase às pessoas? Pois como já disse Nelson Mandela “a democracia com fome, sem educação e saúde para a maioria, é uma concha vazia”.
Malu Pedarcini
E nós como cidadãos o que podemos fazer para modificar esta triste realidade? Reciclar é claro. E o que significa reciclar? O termo reciclar significa transformar objetos materiais usados em novos produtos para o consumo. Essa é uma necessidade que surgiu por pessoas comuns e alguns governantes preocupados com a preservação e sabedores dos benefícios que a reciclagem apresenta para o nosso planeta.
O processo de reciclagem além de preservar o meio ambiente também gera renda para os menos favorecidos. É benéfico ainda para as indústrias, pois elas diminuem o custo de produção de seus produtos. No Brasil, a reciclagem ainda engatinha. Uma pesquisa do governo federal mostra que apenas 0,8% do lixo são reciclados. O balanço feito em 2008 abrange 247 municípios. E nesse universo, é impensável falar em reciclagem sem citar os catadores de materiais e suas cooperativas. Calcula-se que existam de 300 mil a 1 milhão de catadores em atividade no país.
Enquanto o mundo inteiro discute esse problema ainda existem governantes e autoridades que tratam a situação com descaso, não dando a importância que o assunto merece. Esquecem que as cooperativas são verdadeiros centros de reabilitação social e promoção de cidadania, pois possibilitam a geração de renda para uma parcela da população socialmente excluída e sem instrução. Elas cumprem um importante papel de desenvolvimento sustentável da sociedade brasileira. Não seria a hora do poder público rever seus conceitos de crescimento com cidadania e colocar em prática de forma efetiva uma nova maneira de governar, dando mais ênfase às pessoas? Pois como já disse Nelson Mandela “a democracia com fome, sem educação e saúde para a maioria, é uma concha vazia”.
Malu Pedarcini
Buscas
Hoje busco em mim caminhos ainda não percorridos, sonhos incertos, música suave na alma. Busco me despir de antigas manias, hábitos arraigados que teimam em se manter apesar da minha luta constante. Busco a sabedoria, aquela que não está escrita nos livros que leio e sim aquela que nasce das trocas, das permutas, no eterno aprender e descobrir a vida. Sei que ainda tenho muito a aprender e realizar. Quero viver um grande amor, daqueles que deixam o coração aos tropeços e resgatam o brilho do olhar. Um amor que não precise de palavras para se expressar, que se traduza no sentir, na vontade de estar perto, de acarinhar, de amar sem cobranças, sem mentiras, sem hipocrisias. Um amor que não se fundamente apenas na aparência, que esteja liberto de frescuras, que some, multiplique e divida com cumplicidade, com afeto, com paixão.
Malu Pedarcini
Na Galícia
Uma pausa no restaurante Medas, na cidade de Vigo, província de Pontevedra, na região da Galícia na Espanha - julho de 1996.
Jânio, o presidente bufão
Talvez o político mais polêmico que governou o Brasil tenha sido Jânio Quadros. Era um homem completamente contraditório e chocou o país ao renunciar à presidência da república em agosto de 1961. Alegou que fora movido por “forças ocultas”. Ninguém sabe até hoje que forças eram estas, mas os motivos podem ter sido uma “jogada” para voltar fortalecido nos braços do povo. Se a intenção era essa, se deu mal. Jânio teve uma carreira política meteórica, tanto que em um espaço de 13 anos foi de vereador à presidente. O sociólogo Leôncio Martins Rodrigues foi quem o melhor definiu dizendo “Feio, caolho e um pouco Macunaíma, tinha o figurino e o discurso na medida para as massas exploradas e esquecidas”. Responsável por medidas rocambolescas como proibir as mulheres de usar biquini, proibir o lança-perfume e propor que autoridades civis usassem conjunto safári, o chamado “pijânio”, no lugar de terno e gravata. Proibiu também briga de galo e, como vereador, quis acabar com o comércio de Coca-Cola. Prometia varrer corruptos da vida pública (seu símbolo de campanha era uma vassoura), mas foi acusado pela própria filha “Tutu” de manter conta na Suíça. Em seu figurino de “homem do povo” mantinha cabelo desalinhado e caspa nos ombros (adversários diziam que era falsa, de farinha de mandioca). Andava pela direita pisando com o pé esquerdo. Na Guerra Fria, condecorou Che Guevara. Renunciou uma semana depois. Questionado pelo ato, teria respondido: “Fí-lo porque quí-lo”.
Malu Pedarcini
Cora...coração - Coralina...vermelho
“Nunca escreverei uma palavra para lamentar a vida. Meu verso tem cheiro dos currais: é a água corrente, é tronco, é fronde, é folha, é semente, é vida”.
A mensagem sempre priorizou a forma para esta senhora de poderosas palavras. Sua preocupação era entender o mundo onde estava inserida e o seu papel como ser humano. Mulher simples, de poucas letras, buscou respostas no cotidiano como forma de atingir a mais alta riqueza de espírito. Considerada uma das maiores poetisas do século XX somente ficou conhecida aos 75 anos. Nascida Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, começou a escrever por se achar feia. Nasceu em Goiás e mal conseguiu se alfabetizar, pois a mãe não aprovava, não gostava dessa coisa de estudo. Moça “sabida” não conseguia marido. Por isso Aninha preferia ler a ir ao baile e, aos 14 anos, publicou o primeiro conto. Para sossego de dona Jacinta, aos 22 anos a filha casou com Cantídio Bretas, juiz de direito, 22 anos mais velho que ela. Do casamento contava que a esperada vida nova se tornou um martírio: “Ele tinha a tara do ciúme, de dia e de noite. Era mais culto e eu, mais inteligente. Ele não me perdoava isso. Não pude me apegar a ele, porque ele não me deu nenhuma oportunidade”, disse ela a respeito do marido.
Ficou casada por 24 anos, teve três filhos e ao enviuvar arregaçou as mangas. Vendeu livros, linguiça caseira, banha de porco. Comprou um sítio em Andradina (SP) e trabalhou na roça durante 16 anos. Com os filhos criados, teve fim a história de Aninha. Nascia Cora Coralina.De onde tirou o nome? “Em Goiás, havia muitas Anas por causa da padroeira da cidade, Santa Ana. Não queria que nenhuma Ana mais bonita levasse as glórias da minha poesia. Cora vem de coração. Coralina é a cor vermelha. Cora Coralina é um coração vermelho. Minha intenção era não ter xará”, explicou em uma entrevista.
Doce e forte, voltou às origens na sua cidade natal, onde faleceu em 1985.
Malu Pedarcini
Começo de carreira
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Esta é do tempo em que eu escrevia para a revista "Cães & Cia", em 1985/1986.
A versão do militares sobre a prática da ditadura
O jornalista Lucas Figueiredo em seu livro 'Olho por Olho" aborda a competição entre apoiadores e opositores da ditadura militar. São duas versões diferentes, uma gravada no volume "Brasil: nunca mais", projeto que teve como líder o cardeal D. Paulo Evaristo Arns e a outra escrita pelos militares, que se escondeu por muitos anos. Esta versão chama-se Orvil que significa livro ao contrário e teve apenas 15 cópias que foram escondidas a sete chaves. Lucas Figueiredo teve acesso a uma dessas cópias e seu livro conta de forma abrangente os anos que se sucederam à anistia. Falando sobre este período ele afirma que o que veio à tona sobre as práticas da ditadura é perfumaria.
O projeto Orvil durou três anos, de 1985 a 1988 e resultou em um livro que nunca foi publicado. A intenção era rebater o volume "Brasil: nunca mais". Segundo Lucas na versão militar existem acusações esdrúxulas como a de que o escritor Antônio Callado era um agente de Cuba. Ou que o assassinato do jornalista Vladimir Herzog foi suicídio. Em geral, há uma leitura enviesada da história. Ainda sobre Orvil ele diz que “O Exército põe o dedo numa ferida que boa parte da esquerda sempre jogou debaixo do tapete: todos os grupos que participaram da luta armada queriam derrubar a ditadura militar para instalar uma ditadura de viés comunista ou socialista. Ninguém pensava em reconduzir ao poder o presidente deposto, João Goulart. Mas a esquerda acabou criando a lenda de que todos os grupos buscavam a democracia. Outra questão é o envolvimento – pequeno, mas verdadeiro – de guerrilheiros de esquerda com o terrorismo, ou seja, com ações contra a população, e não apenas o inimigo militar. Por fim, estão relatados casos em que militantes de esquerda foram assassinados por seus próprios companheiros, como Márcio Leite de Toledo e Carlos Alberto Maciel Cardoso, ambos da ALN (Aliança Libertadora Nacional), e Francisco Jacques Moreira de Alvarenga, da RAN (Resistência Armada Nacional). O justiçamento de companheiros de luta, praticado por alguns grupos, ainda hoje é um tabu para a esquerda”.
Malu Pedarcini
Poesia Em Prosa
A felicidade se perdeu
nos becos escuros e sujos.
Porém, a poesia não se rendeu.
Escalou muros e descerrou portas.
Mobilizou palavras e transpôs obstáculos
Abriu portos de mares turbulentos
E cativou deuses e mortais.
Vai...
Vai poesia!
Desfaça mitos e crie fascínio
Seja romântica, moderna ou surrealista
Prostitua a rima e a métrica
Faça da alegria a sua virtude
E de seus versos encanto e canto.
Malu Pedarcini
domingo, 5 de setembro de 2010
Apenas mulher
Sou mulher!
Mulher do meu tempo
Trago o brilho nos olhos
Sou anjo muitas vezes, outras vezes diaba
Sou adulta e criança
Sou a estrela que guia
Sou a tempestade que desatina
Sou mulher!
Amante e companheira
Mansa e feroz
Aquela que apaga a tristeza
Que traz o sorriso
Invade a rotina
E te faz Feliz!
Mulher do meu tempo
Trago o brilho nos olhos
Sou anjo muitas vezes, outras vezes diaba
Sou adulta e criança
Sou a estrela que guia
Sou a tempestade que desatina
Sou mulher!
Amante e companheira
Mansa e feroz
Aquela que apaga a tristeza
Que traz o sorriso
Invade a rotina
E te faz Feliz!
Malu Pedarcini
Salada de cores
Do arco-íris eu quero todas as cores
A vida soprada em gotasFarrapos de nuvens e o brilho do sol
A força invisível da Natureza
Transbordando espectros de luz
Que se transformam em
violeta, anil, azul, verde, amarelo, laranja e vermelho.
E juntar todas essas cores
Numa salada de tons
Para que a vibração seja permanente
E o amor entre e permaneça
E a alegria tome conta de nós.
Malu Pedarcini
Na terra do deus Sol
Aqui, João, Ivani, Sandra e eu em Saqsaywaman, no Peru, em 1988
Saqsaywaman na verdade não era uma fortaleza e sim um lugar de culto conhecido como a Casa do Sol, nos tempos incaicos. Construído com pedras de até 9 metros de altura por 5 de largura que se encaixam perfeitamente ajustando-se uma ao lado da outra. A fortaleza tem 360 metros de comprimento aproximadamente, e tem portas, galerias e torres localizadas estrategicamente.
Vianinha - o porta-voz de uma geração
“Revolução sou eu! Revolução pra mim já foi uma coisa pirotécnica, agora é todo dia, lá no mundo, ardendo, usando as palavras, os gestos, a esperança desse mundo”.
Filho de jornalista, roteirista e dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho, herdou o nome do pai e fez sua estreia no cinema aos três meses de idade. Adolescente ainda entrou para o Partido Comunista Brasileiro. Diploma não teve. Bem que tentou, cursou Arquitetura e Filosofia, mas não concluiu os cursos. Em 1954, entra para o Teatro Paulista do Estudante, que, em 1956, se junta ao Teatro de Arena. Ao lado de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, adere à proposta de uma dramaturgia com textos e temas nacionais. Escreve Chapetuba Futebol Clube, que rendeu a seguinte crítica de Sábato Magaldi: "(...) a sensibilidade, a delicadeza, a finura psicológica, o diálogo de bom nível literário e a firmeza ideológica na análise dos problemas sociais". Cada vez mais empenhado com as causas populares deixa o Arena em 1961 e ajuda a fundar o Centro Popular de Cultura (CPC), da União Nacional dos Estudantes (UNE). Percorre escolas, associações, sindicatos. Escreve peças curtas, atua em filme e aprofunda-se como teórico do teatro. Com o golpe militar de 1964, a UNE na clandestinidade, o CPC morre. Vianinha escreve, com Armando Costa e Paulo Pontes, o roteiro do show Opinião. Com Nara Leão, Zé Kéti e João do Vale, o espetáculo torna-se marco da resistência cultural à ditadura militar. Mas a censura limitava as produções e Vianinha é obrigado a migrar para a tevê. Começa então a escrever com Armando Costa, "A Grande Família", comédia de costumes. Com histórias que abordavam de forma sutil questões delicadas, como feminismo, contracultura e custo de vida foi um sucesso na época, tanto que foi reeditada em 2001, - sem Júnior, o filho politizado. Em 1972, ao fazer um exame, Vianinha descobre um câncer. Já à beira da morte, ditou para sua mãe o final da peça "Rasga Coração". Considerada uma de suas melhores peças, foi censurada e ele morreu sem vê-la encenada. Morreu em 1974 aos 38 anos de idade e deixou uma lição de comprometimento com as causas populares de nosso País.
Malu Pedarcini
Filho de jornalista, roteirista e dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho, herdou o nome do pai e fez sua estreia no cinema aos três meses de idade. Adolescente ainda entrou para o Partido Comunista Brasileiro. Diploma não teve. Bem que tentou, cursou Arquitetura e Filosofia, mas não concluiu os cursos. Em 1954, entra para o Teatro Paulista do Estudante, que, em 1956, se junta ao Teatro de Arena. Ao lado de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, adere à proposta de uma dramaturgia com textos e temas nacionais. Escreve Chapetuba Futebol Clube, que rendeu a seguinte crítica de Sábato Magaldi: "(...) a sensibilidade, a delicadeza, a finura psicológica, o diálogo de bom nível literário e a firmeza ideológica na análise dos problemas sociais". Cada vez mais empenhado com as causas populares deixa o Arena em 1961 e ajuda a fundar o Centro Popular de Cultura (CPC), da União Nacional dos Estudantes (UNE). Percorre escolas, associações, sindicatos. Escreve peças curtas, atua em filme e aprofunda-se como teórico do teatro. Com o golpe militar de 1964, a UNE na clandestinidade, o CPC morre. Vianinha escreve, com Armando Costa e Paulo Pontes, o roteiro do show Opinião. Com Nara Leão, Zé Kéti e João do Vale, o espetáculo torna-se marco da resistência cultural à ditadura militar. Mas a censura limitava as produções e Vianinha é obrigado a migrar para a tevê. Começa então a escrever com Armando Costa, "A Grande Família", comédia de costumes. Com histórias que abordavam de forma sutil questões delicadas, como feminismo, contracultura e custo de vida foi um sucesso na época, tanto que foi reeditada em 2001, - sem Júnior, o filho politizado. Em 1972, ao fazer um exame, Vianinha descobre um câncer. Já à beira da morte, ditou para sua mãe o final da peça "Rasga Coração". Considerada uma de suas melhores peças, foi censurada e ele morreu sem vê-la encenada. Morreu em 1974 aos 38 anos de idade e deixou uma lição de comprometimento com as causas populares de nosso País.
Malu Pedarcini
Sonhos de menina
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Sonho realizado. Eu na casa do escritor Axel Münthe em Anacapri, na Itália, em 1994
Sempre tive uma relação de amor com a Itália. Não sei se é porque é a pátria de meus antepassados, ou por ser um país que guarda tanta história. Afinal, foi um dos impérios mais poderosos da Terra. Começou cerca de 500 anos antes de Cristo e entrou em decadência no século III, depois de Cristo. Muita história não é mesmo?
Mas, um dos meus sonhos de menina era um dia ir à Capri. Capri é uma ilha situada no golfo de Nápoles, no mar Tirreno.
Porém, na minha primeira viagem à Itália em 1991 não consegui realizar esse sonho. Fui realizá-lo, três anos depois, em 1994, quando voltei à Itália pela segunda vez. Minha vontade de conhecer a ilha não se devia a suas belezas naturais, que são muitas. O que eu queria mesmo era conhecer a casa do escritor sueco Axel Münthe, em Anacapri, que fica localizada na mesma ilha.
Esse médico, psiquiatra, filantropo e que nutria um grande amor pelos animais é o autor de um dos mais belos livros que já tive oportunidade de ler.
"O Livro de San Michele", autobiografia do septuagenário, quase cego é o relato dos últimos anos da sua vida na casa em Anacapri, de suas lembranças da juventude, de seu amor pela humanidade e pelos animais. Li este livro quando tinha uns 12 anos e o releio de vez em quando, pois sempre descubro alguma coisa nova nas entrelinhas dessa obra maravilhosa.
Cheguei à Capri de barco e peguei um ônibus com um motorista maluco que dirigia em alta velocidade subindo a estradinha tortuosa e íngreme. Olhando o Mar Tirreno, de um azul profundo, lá embaixo naquele precipício, cheguei a me perguntar: Meu Deus, o que estou fazendo aqui? Mas, quando desembarquei em Anacapri e tive aquela visão maravilhosa da natureza e finalmente da famosa casa, respirei e rememorei tudo o que tinha lido na minha adolescência, naquele livro tão lindo e cheio de emoção. E a resposta daquela pergunta, do que eu estava fazendo lá, foi finalmente esclarecida.
Malu Pedarcini
Dia da Amizade Verdadeira
Hoje, 5 de setembro, é o dia da amizade verdadeira. Eu sempre pensei que toda amizade fosse verdadeira ou pelo menos deveria ser, senão não é amizade. Amigo falso não é amigo, é inimigo e a meu ver bem pior que os inimigos declarados, pois destes podemos nos defender já que manifestam suas antipatias abertamente. Mas, voltando aos amigos, aqueles que nos amam com nossas oscilações de humores, com nossas rabugices e quando estamos alegres ficam alegres conosco, sem invejas, torcendo pelo nosso sucesso, estes sim, são os amigos de verdade. E estes devemos conservar a qualquer custo, pois como diz o Milton “amigo é coisa pra se guardar, do lado esquerdo do peito”. E tenho dito!
Malu Pedarcini
Malu Pedarcini
Te quero
""Vertumne el Pomone", escultura em mármore de 1905 de Camille Claudel - Museu Rodin (Paris) - Foto de Malu Pedarcini
Te quero suado,
de um jeito safado,
com olhar de desejo.
A pele morena,
exalando seu cheiro de homem.
Meu corpo na espera,
agarra-se ao teu,
num abraço apertado,
e beijos trocados.
Tuas mãos másculas
me exploram com fúria
mãos maliciosas
de amante experiente.
A entrega é inevitável,
lhe quero e você me quer
Neste momento sou tua,
e me rendo à sedução...
Que se dane a razão!!!
Malu Pedarcini
Dualidade
Existe em mim uma dualidade que às vezes custa-me a entender. Um querer ir e um querer ficar. Essa vontade de alçar voo e ao mesmo tempo o medo de cair. Carrego comigo as dores e desassossegos da humanidade. Essas incoerências que me fazem humana, vulnerável.
Malu Pedarcini
Malu Pedarcini
Bem-te-vi
Bem-te-vi... Bem-te-vi...
Bem me viu? Não... Bem te vi!
Viu o quê?
A mim?
Não... não...
Te vi, ali.
Bem te vejo. Serelepe, moleque. Aqui, lá, acolá, em toda parte.
Faz parte. Parte da alvorada, parte do sol a pino, parte do crepúsculo.
Está lá, bem faceiro, trigueiro.
Canta sem cessar. Bem-te-vi... Bem-te-vi.
E vendo vai voando, espalhando sementes e alegria.
Doce trinado, desperta e amarelo voa.
Ah! Passarinho. No ninho, nunca sozinho. Cantando sempre.
Bem-te-vi... Bem-te-vi.
Sim, estou vendo. Dezenas, centenas.
Nos postes, nas árvores, nos telhados.
Bem te vi a voar.
Malu Pedarcini
Bem me viu? Não... Bem te vi!
Viu o quê?
A mim?
Não... não...
Te vi, ali.
Bem te vejo. Serelepe, moleque. Aqui, lá, acolá, em toda parte.
Faz parte. Parte da alvorada, parte do sol a pino, parte do crepúsculo.
Está lá, bem faceiro, trigueiro.
Canta sem cessar. Bem-te-vi... Bem-te-vi.
E vendo vai voando, espalhando sementes e alegria.
Doce trinado, desperta e amarelo voa.
Ah! Passarinho. No ninho, nunca sozinho. Cantando sempre.
Bem-te-vi... Bem-te-vi.
Sim, estou vendo. Dezenas, centenas.
Nos postes, nas árvores, nos telhados.
Bem te vi a voar.
Malu Pedarcini
sábado, 4 de setembro de 2010
Os dez dias que abalaram o mundo
Revolução Proletária, Revolução de Outubro ou Revolução Russa? Quer saber mais sobre o tema? Leia o livro “Os Dez Dias que Abalaram o Mundo”, do escritor e jornalista John Reed. Ele cobriu ao vivo as mudanças que aconteceram na Rússia em 1917, quando o Partido Bolchevique, liderado por Vladimir Lênin, derrubou o governo provisório e impôs o governo socialista soviético. Egon Ervin Kisch, (1885–1948), escritor e jornalista tcheco, disse a respeito do autor “Ele combateu nas barricadas. Não com armas, mas com o lápis.” Reed viveu e participou desses dias que tiveram grande importância frente à história. Escreveu de forma magistral os fatos que provocaram rupturas e deixaram vestígios profundos e indeléveis na vida da humanidade.
Uma semana que teve importância histórica sem precedentes, que modificou a estrutura do mundo e que teve na obra de Reed, uma verdadeira profecia, além de ser de grande valor literário e histórico. Da obra, Lênin escreveu “Li o livro de John Reed com o maior interesse e uma atenção constante. Do fundo do coração, recomendo-o aos operários de todos os países”.
“Os Dez Dias que Abalaram o Mundo”, não é apenas uma obra literária, mas sim um documento verídico, da luta de classes, da causa dos trabalhadores.
Vale à pena a leitura, pois você fará uma viagem aqueles frios dias de 1917, quando proletários se uniram e puseram fim a monarquia absolutista.
Malu Pedarcini
Uma semana que teve importância histórica sem precedentes, que modificou a estrutura do mundo e que teve na obra de Reed, uma verdadeira profecia, além de ser de grande valor literário e histórico. Da obra, Lênin escreveu “Li o livro de John Reed com o maior interesse e uma atenção constante. Do fundo do coração, recomendo-o aos operários de todos os países”.
“Os Dez Dias que Abalaram o Mundo”, não é apenas uma obra literária, mas sim um documento verídico, da luta de classes, da causa dos trabalhadores.
Vale à pena a leitura, pois você fará uma viagem aqueles frios dias de 1917, quando proletários se uniram e puseram fim a monarquia absolutista.
Malu Pedarcini
Doce terra onde nasci
Diferentemente do poeta, minha cidade natal não é apenas uma fotografia na parede. Ela continua viva na minha alma, ignorando o tempo e a distância. Pequenina, a deixei, mas suas marcas confundem-se com as minhas e juntas nos misturamos, nos fundimos. Somos uma mesma geografia e um mesmo coração. Linda Burarama, de montanhas magníficas onde a água brota por todo lado e desce a serra numa bela cantilena molhada. Doce sinfonia de pássaros em liberdade plena.
Cheiro de relva, de terra molhada, de bolinho de chuva, de manga-pera de sabor inconfundível e único. Cheiro de chaminés de fogão de palha, de angu quentinho, de bolinho de arroz da Ana, tia Ana, a mais querida das tias. Do sabor adocicado da jaca madura, do aroma afrodisíaco do café cultivado em suas montanhas, da goiabada-cascão.
Burarama de todas as cores e sabores, terra dos meus antepassados, terra dos meus pais, minha terra, pequeno pedacinho da Itália no Brasil.
Linda Burarama, minha Shangri-la particular, onde começou minha história, onde estão minhas raízes.
Malu Pedarcini
Cheiro de relva, de terra molhada, de bolinho de chuva, de manga-pera de sabor inconfundível e único. Cheiro de chaminés de fogão de palha, de angu quentinho, de bolinho de arroz da Ana, tia Ana, a mais querida das tias. Do sabor adocicado da jaca madura, do aroma afrodisíaco do café cultivado em suas montanhas, da goiabada-cascão.
Burarama de todas as cores e sabores, terra dos meus antepassados, terra dos meus pais, minha terra, pequeno pedacinho da Itália no Brasil.
Linda Burarama, minha Shangri-la particular, onde começou minha história, onde estão minhas raízes.
Malu Pedarcini
À procura de mim
Ao sabor da vida
Ando à procura de mim.
Encontro-me e torno a me perder
Vislumbro as luzes do amanhã.
Certas vezes sinto-me sozinha,
Mesmo cercada de muitas pessoas.
Nestas horas faço a minha observação do mundo.
É tudo tão estranho e misterioso.
Será que faço parte da família humana?
Porque essas inquietações?
Não sei dizer. Acho que são inerentes à minha alma.
Fazem parte da minha identidade,
assim como meus traços físicos.
Talvez um dia eu consiga me encontrar.
Por enquanto... apenas busco.
Ando à procura de mim.
Encontro-me e torno a me perder
Vislumbro as luzes do amanhã.
Certas vezes sinto-me sozinha,
Mesmo cercada de muitas pessoas.
Nestas horas faço a minha observação do mundo.
É tudo tão estranho e misterioso.
Será que faço parte da família humana?
Porque essas inquietações?
Não sei dizer. Acho que são inerentes à minha alma.
Fazem parte da minha identidade,
assim como meus traços físicos.
Talvez um dia eu consiga me encontrar.
Por enquanto... apenas busco.
Malu Pedarcini
Simplesmente Clarice
"Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase tudo".
Essa brasileira nasceu com o nome de Haia, em um pequeno vilarejo da Ucrânia, quando seus pais fugiam da Guerra da Prússia e estavam à caminho do Brasil. Chegou aqui ainda bebê e passou a se chamar Clarice. Essa bruxa das letras (assim definida por Otto Lara Resende), também recebeu outras definições de escritores contemporâneos. Antonio Callado dizia que era enigmática, Drummond a descrevia como um mistério e Paulo Francis a achava insolúvel. Seus textos não têm enredo, mas sim sensações. Dizia a respeito de si mesma: “Não sei o que quero e, quando descobrir, não preciso mais. Acho que quero entender. Quando escrevo, vou descobrindo, aprendendo. É um exercício de aprendizagem da vida”. Cursou a faculdade de Direito, casou-se com um diplomata, teve dois filhos e passou a vida escrevendo. Certa vez ao ser entrevistada pelo jornalista José Castello que perguntou por que ela escrevia, Clarice retrucou dizendo: “Vou lhe responder com outra pergunta: Por que você bebe água?”. Ao que Castello respondeu prontamente, “porque tenho sede” e ela emendou “Quer dizer que você bebe água para não morrer. Pois eu também: escrevo para me manter viva”. Essa mulher admirável, sempre foi marcada pela solidão e pelo sofrimento. Um dos seus filhos sofria de esquizofrenia e ela foi vítima de um grave acidente - quase morreu ao tentar apagar um incêndio. Apesar do sucesso dos seus livros passou por dificuldades financeiras. Vidente e visionária, porém nunca abandonou o que mais gostava de fazer, ou seja, escrever. Poucos meses antes de morrer deu uma entrevista em que confessou: “Quando não escrevo, estou morta. Nasci para escrever. Cada livro meu é uma estreia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que chamo de viver e escrever”.
Morreu de câncer em 1977, às vésperas de completar 57 anos.
Malu Pedarcini
Essa brasileira nasceu com o nome de Haia, em um pequeno vilarejo da Ucrânia, quando seus pais fugiam da Guerra da Prússia e estavam à caminho do Brasil. Chegou aqui ainda bebê e passou a se chamar Clarice. Essa bruxa das letras (assim definida por Otto Lara Resende), também recebeu outras definições de escritores contemporâneos. Antonio Callado dizia que era enigmática, Drummond a descrevia como um mistério e Paulo Francis a achava insolúvel. Seus textos não têm enredo, mas sim sensações. Dizia a respeito de si mesma: “Não sei o que quero e, quando descobrir, não preciso mais. Acho que quero entender. Quando escrevo, vou descobrindo, aprendendo. É um exercício de aprendizagem da vida”. Cursou a faculdade de Direito, casou-se com um diplomata, teve dois filhos e passou a vida escrevendo. Certa vez ao ser entrevistada pelo jornalista José Castello que perguntou por que ela escrevia, Clarice retrucou dizendo: “Vou lhe responder com outra pergunta: Por que você bebe água?”. Ao que Castello respondeu prontamente, “porque tenho sede” e ela emendou “Quer dizer que você bebe água para não morrer. Pois eu também: escrevo para me manter viva”. Essa mulher admirável, sempre foi marcada pela solidão e pelo sofrimento. Um dos seus filhos sofria de esquizofrenia e ela foi vítima de um grave acidente - quase morreu ao tentar apagar um incêndio. Apesar do sucesso dos seus livros passou por dificuldades financeiras. Vidente e visionária, porém nunca abandonou o que mais gostava de fazer, ou seja, escrever. Poucos meses antes de morrer deu uma entrevista em que confessou: “Quando não escrevo, estou morta. Nasci para escrever. Cada livro meu é uma estreia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que chamo de viver e escrever”.
Morreu de câncer em 1977, às vésperas de completar 57 anos.
Malu Pedarcini
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
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