segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Momentos

Janeiro de 2008

Em Vitória

No Hotel Senac Ilha do Boi em Vitória - abril de 1989

Menino

Sua presença doce e morna
Olhos a acariciar
Boca gulosa e sedenta
Braços viris a embalar.

Menino grande você é lindo
Terno e meigo ao falar
Quando sorri me cativa
É o próprio verbo amar.

Malu Pedarcini

Adorável Tim


Eu sou suspeita em falar desse gordinho, pois sempre tive paixão por ele. Tinha um gênio difícil, brigava com todo mundo, xingava a plateia, abandonava o palco sem explicações, mas assim mesmo era amado. Por baixo da explosão, do vulcão, existia um cara extremamente generoso e sobretudo talentoso. Caçula de 12 filhos, nascido no Rio de Janeiro, desde criança enveredou pelos caminhos da música. Seu primeiro conjunto “Os Sputniks” tinha Roberto Carlos como um dos componentes. Mas, “Os Sputniks” foram literalmente para o espaço, quando ao se apresentarem em um programa na extinta TV Tupi que tinha Carlos Imperial como apresentador, Roberto Carlos convenceu Imperial que faria melhor imitando o Rei do Rock, Elvis Presley. Tim Maia não gostou nada e algum tempo depois partiu de mala e cuia para os Estados Unidos. Na realidade mais cuia do que mala, já que tinha somente 12 dólares no bolso. Foi lá que se familiarizou com a música negra, chegou até a formar uma banda chamada “The Ideals”. Comeu o pão que o diabo amassou, trabalhou até como babá e chegou a ser preso por roubar um carro para viajar pelo país. Voltou em meados dos anos 60 cheio de ideias na cabeça, porém ao gravar um disco em inglês veio a frustração, uma vez que a repercussão foi zero. Tinha muitos “grilos” e sofria por causa da sua aparência e traduziu isso nas letras de suas músicas. Contam que enquanto compunha a letra “Na vida a gente / Tem que entender / Que um nasce pra sofrer / Enquanto o outro ri”, chorou e disse aos amigos “Mermão! Tu acabou de fazer a música da tua vida”. Sua sorte começou a mudar quando Roberto gravou “Não vou ficar”. Daí em diante muitos sucessos vieram e um belo dia ao folhear um livro ficou completamente maluco. Era uma seita que pregava o uso de roupas brancas e condenava a bebida, cigarro, drogas e até sexo sem intenção de procriar. Mas, de repente cansou-se de tudo e voltou à Terra, ao seu normal. Apesar de seus acessos temperamentais, suas brigas, tinha uma legião de fãs e sempre foi admirado pelos seus colegas. Em março de 1998, o “gordinho” subiu ao palco pela última vez. Ao tentar cantar “Não quero dinheiro”, não conseguiu e se retirou do palco. A plateia achou que era uma das suas malcriações e puxou uma tremenda vaia. Mas naquele dia não era. Tinha sofrido uma embolia pulmonar com uma parada cardiorrespiratória. Passou alguns dias lutando contra a morte, porém perdeu a batalha, não resistiu. Foi para o andar de cima e deve estar lá causando alguma confusão, brigando com os anjos e alegrando todo mundo com seu vozeirão.

Malu Pedarcini

domingo, 19 de setembro de 2010

Noite musical

Eu e Marta Bellini, uma anfitriã de primeira - setembro de 2010

Noite de alegria

Santiago, eu e Marta Bellini nos deliciando com a música de nosso amigo Balestra - setembro de 2010.

Seu jeito

Foi no seu jeito de DIZER
Que eu aprendi a ENTENDER
Foi no seu jeito de ESCREVER
Que eu aprendi a DECIFRAR
Foi no seu jeito de se MOSTRAR
Que eu aprendi a me DESNUDAR
Foi no seu jeito de SENTIR
Que eu aprendi a INTERPRETAR
Foi nesse jeito tão SIMPLES
Que estou me ENCANTANDO por você
Não MUDE, pois ti GOSTO simplesmente como você é.

Malu Pedarcini

Sangue de Coca-Cola

Li o livro “Sangue de Coca-Cola”, do mineiro Roberto Drummond, quando cursava a faculdade de Jornalismo. A obra é um relato da pior época por que passou nosso País, os pesados anos de chumbo. Com um texto enérgico e ritmo alucinante, o autor mostra com nomes e sobrenomes todos os ditadores que marcaram com sangue, a História do Brasil. Tudo começa em um 1º de abril com o relato de alucinações coletivas e que segundo o autor, "o Brasil tomou Coca-Cola com LSD e entrou numa bad". A partir daí a imaginação corre livre, leve e solta. Misturando realidade e fantasia, Drummond retrata várias gerações de antes e pós-revolução de 64. Polêmico e original “Sangue de Coca-Cola” é para ser saboreado devagarzinho, pois quem o ler afoitamente poderá ter uma overdose de delírio imaginativo.

Malu Pedarcini

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Momento feliz

Fevereiro de 2008

Na ilha da "Moreninha"

Na Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro - outubro de 1984.

Autoconhecimento

Quando iniciamos a nossa jornada rumo ao autoconhecimento devemos estar preparados para os desafios que encontraremos pela frente. Os principais dizem respeito às escolhas e decisões que tomaremos e que se confrontarão com as dos demais, podendo surgir conflitos. O medo da desaprovação é um dos principais motivos que nos levam às vezes a agir de acordo com as conveniências, deixando de lado nossa vontade. Desse modo somos aceitos pela sociedade, porém iremos continuar carregando o vazio na alma. Enquanto não formos capazes de assumir a diretriz da nossa vida e termos em mente que o principal é o amor por nós mesmos e a busca pela paz interior estaremos fadados a pagar um alto preço.

Malu Pedarcini

João de Barro

Arquiteto e construtor
Elabora matematicamente
A casa, seu teto, seu castelo
Tem certo, a família
Suas crias
E laborioso trabalha
Pássaro inteligente
Sociabiliza-se
E humano ri
Um canto de gargalhadas
Parece frágil
Mas engana-se quem pensa
Que desiste fácil
É um mestre
E na companhia de sua Maria
Vai erguendo paredes
Seu lar
Onde juntos vivem
Sempre fieis,
até que a morte os separe.

Malu Pedarcini


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Bahia de São Salvador

Eu e minha sobrinha Tânia, na Praia da Barra, em Salvador - abril de 2010.

Litoral capixaba

Santiago e eu na Praia da Costa, em Vila Velha, no Espírito Santo - janeiro de 2010

O Nome da Rosa

Quando li “O Nome da Rosa” há algum tempo atrás fiquei ansiosa para saber o final. Esta obra do escritor italiano Umberto Eco, lançada em 1980, foi sucesso também no cinema, mas o filme, se comparado ao livro, deixa a desejar.
Por isso, não costumo mais assistir a filmes, cujos roteiros foram baseados em livros que já li. Assim, não me decepciono.
Mas voltando a obra literária, a trama gira em torno das investigações de uma série de crimes que acontecem dentro de uma abadia medieval. Com um quê das histórias de Sherlock Holmes, os crimes, no caso as mortes, começam a ser investigadas e a princípio possuem um aspecto sobrenatural. Mas, como sempre, os acontecimentos são de origem humana. Ao mergulharmos na leitura viajamos para a Idade Média, adentramos na vida monástica e fazemos uma reflexão do que é certo e errado, do bem e do mal, das questões filosóficas da Igreja, da Inquisição e do pecado e da culpa, convivendo com a religião.
O “O Nome da Rosa” é envolvente, intrigante, com ares de romance policial. Ao lê-lo o leitor fará uma viagem no tempo, andando por labirintos, no meio dos monges e ficará preso da primeira à última página, como acontece com os bons livros de suspense.

Malu Pedarcini

João, o arquiteto da poesia

— Tanta coisa despiste em vida
que fugiu de teu peito a brisa.
— E agora, se abre o chão e te abriga,
lençol que não tiveste em vida.
— Se abre o chão e te fecha,
dando-te agora cama e coberta.
— Se abre o chão e te envolve,
como mulher com quem se dorme.

Ele escreveu a mais bonita e sofrida obra de engenharia poética. A antológica "Morte e Vida Severina” teve várias versões no teatro e na mídia eletrônica, inclusive foi musicada pelo grande Chico Buarque. Seu autor, João Cabral de Melo Neto, nasceu em Recife e tinha parentes ilustres. Primo, pelo lado paterno, de Manuel Bandeira e, pelo lado materno, de Gilberto Freyre, ele passou a infância nos engenhos de açúcar. Aos vinte anos mudou com a família para o Rio de Janeiro onde viveu até sua morte em 1999. Poeta das dualidades, por vezes de forma obsessiva, faz traçados entre tempo e espaço, deserto e fertilidade, o dentro e o fora, o masculino e o feminino. Sua poesia é cerebral, uma construção elaborada e pensada. Foi diplomata, porém nunca relegou a poesia. Com ela ganhou muitos prêmios, entre eles o Jabuti e o Luis de Camões. Este último, considerado o mais importante prêmio concedido a escritores da língua portuguesa. Esse arquiteto da poesia, com 20 livros publicados, escreveu versos assim:
[...] morte severina:
que é a morte que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia.


Malu Pedarcini

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O trio novamente


Silene, eu e Rose em Morro Branco, no Ceará - setembro de 1999.

Amigas irmãs

Eu, Rose e Silene - comemorando o aniversário da Rose - agosto de 2002

Machado, unanimidade nacional

Se hoje ainda há discriminação contra os negros, imagine isso no século IXX. E agora imagine como era ser negro, pobre, epilético e gago naquela época. Com certeza não devia ser nada fácil. Mas, o menino Machadinho, como era chamado, nem deu bola para a torcida. Mesmo não cursando a escola de forma regular, pois com a morte do pai teve que trabalhar, achou tempo para assistir as aulas em um colégio de São Cristovão onde trabalhava como vendedor de doces na cantina. Sempre se empenhou em aprender e tornou-se um dos maiores intelectuais do País, ainda bem jovem. Aprendeu francês, inglês e alemão, sempre como autodidata. É considerado por muitos o maior escritor brasileiro de todos os tempos e um dos maiores escritores do mundo, enquanto romancista e contista. Considerado o pai do realismo no Brasil, escreveu Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Quincas Borba e vários livros de contos, entre eles, Papéis Avulsos, no qual se encontra o conto “O Alienista”, onde discute a loucura. Também escreveu poesia e foi um ativo crítico literário, além de ser um dos criadores da crônica no país. Foi o fundador da Academia Brasileira de Letras. Dizem os críticos que Machado era "urbano, aristocrata, cosmopolita, reservado e cínico", ignorou questões sociais como a independência do Brasil e a abolição da escravatura. Passou ao longe do nacionalismo, tendo ambientado suas histórias sempre no Rio, como se não houvesse outro lugar. A frase final de seu livro Memórias Póstumas de Brás Cubas escrito em 1881 diz assim “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria”. Machado também, coincidentemente ou não, não os teve. Muito doente, solitário e triste depois da morte da esposa, Machado de Assis morreu em setembro de 1908, em sua velha casa no bairro carioca do Cosme Velho.

Malu Pedarcini

Jeito de amar


Ah, essa saudade louca que me invade,
Que rouba meu sono,
Me vira do avesso...
Ah, esse amor que me devora.
Que queima meu corpo,
Que acende o meu sexo...
Ah, essa loucura de te amar,
De sentir o seu cheiro e o seu gosto.
Ah, esse vício que me anima, me alimenta...
Ah, essa estranha forma de te gostar.

Malu Pedarcini

Carnaval na praia

Eu, Aninha, Joceli e Bia em Massagaçu - Caraguatatuba - fevereiro de 1989

Copa...Copacabana

Lurdinha e eu em Copacabana - Rio de Janeiro - julho 2009

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Em um pub londrino

Bia e eu no pub "The Albert Tavern" em Londres - setembro de 1991.

Ele dá o Tom


O menino Antônio José Santana Martins nasceu no sertão da Bahia e desde cedo mostrou à que veio. Adolescente ainda já participava de programas na TV baiana e se destacava por sua originalidade. Mais tarde virou Tom Zé e daí nunca mais parou. Nordestino assumido diz que o projeto Fome Zero foi um sucesso já que apresentou ao País a fome que existe. “Aqui no Sul ninguém nunca viu um pobre. O nordestino cata uma fruta na árvore, mata galinha num dia, come o ovo noutro. Aquele estado de vida da humanidade, quando estava começando a tomar conta do planeta Terra. Eles vivem assim. E cada dia rezam de manhã, porque amanheceram vivos”. Falando sobre os músicos faz uma crítica à cultura de nosso país e diz “A Europa sabe tudo antes da gente. Estava lá, em 1995, e um cara me perguntou: “E o Chico Science?”Respondi: “Quem?”Eles já conheciam. É impressionante. Em São Paulo tem Ná Ozetti, Tom Zé, Edvaldo Santana, Luiz Tatit, Suzana Salles. Mas desativaram todas as casas culturais. O jovem que ia nos ver, que via na gente exemplo de trabalho, agora só tem televisão mostrando filme. Hollywood, que é a grande escola de crime. Como é que estão espantados que a filha matou os pais? Se você liga a televisão, em qualquer canal, tem aula de crime de manhã, de tarde e de noite. Disseram que a televisão era para educar. Cadê a educação? Quem está educado para o crime vai fazer o quê?”
Esse “quase sertanejo urbano’ tem uma visão realista da política e dos interesses que movem as pessoas. “Eu mesmo trabalho para multinacionais, as sete grandes que dominam o mundo. Se não diretamente, indiretamente, porque quem paga para eu viver são jovens que no dia seguinte vão trabalhar para eles. Distraio essas pessoas para elas não pensarem que são escravos. O mundo todo trabalha para sete firmas que dominam tudo. É engraçado, porque a gente diz: não trabalho para eles, sou independente. Mentira”.
Esse é o Tom, coerente com sua realidade, polêmico, conhecido lá fora e pouco divulgado aqui. Mesmo assim não sai do “tom”.

Malu Pedarcini

Sua Excelência, o volêi de praia

Matéria para o jornal Gazeta Maringaense em abril/2009

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Paisagem da minha infância

No açude dos Gava em Burarama, no Espírito Santo - janeiro de 2010

Lua

Lua,
Coalhando o céu negro e sem estrelas
Presente dos deuses
Aos pobres mortais.

Lua,
Inspiração de namorados e poetas
Guiando o navio solitário ao cais.

Lua,
Amiga da boêmia
Iluminando o planeta Terra
Com brilho emprestado do sol.

Malu Pedarcini

O apanhador no campo de centeio

É raro encontrar alguém da minha geração que não tenha lido ou ouvido falar do livro “O apanhador no campo de centeio” de J.D. Salinger. Este livro estranho e banal, narra fatos e acontecimentos da vida de um adolescente. Foi publicado em 1951 e tornou-se um marco da cultura jovem. Causou uma pequena revolução de comportamento nos Estados Unidos e no mundo. A obra conta a história de Holden Caulfield, de 16 anos, que narra suas desventuras, após ser expulso da escola. Por mais que Holden seja um menino meio estranho e certamente depressivo, ele respeita as pessoas e é carente. É um jogo de contradição em que ele odeia e ama ao mesmo tempo. J.D. Salinger colocou no personagem todas as contradições que os jovens carregam dentro de si. Recomendo a leitura.

Malu Pedarcini

Em terra da realeza


Um giro noturno por Londres - ao fundo o rio Tâmisa e a ponte Tower Bridge - setembro de 1991.

Saber viver

Viver é ter o senso de proporção e a medida entre aquilo que sabemos e aquilo que não sabemos, que não conhecemos. Extremos que se equilibram quando aceitamos que há coisas na Vida sobre as quais nunca saberemos nada, para as quais, enfim, não há mapas ou receitas. E estas, geralmente, se referem àquilo que nos é mais caro, seja a incerteza do futuro profissional, seja o potencial de um grande amor. Para esses assuntos, não há conselhos, mas sabedoria, que pode se transformar em uma luz incandescente, quando estamos em meio a uma noite escura de incertezas. Nesses momentos, quando as coisas carecem de certezas, existe o benefício da fé, sempre. Quanto maior a dúvida e o medo (grandes companheiros, em que um protege e esconde o outro), mais fé deve ser empregada. E fé, é algo que se vivencia num caminho de trabalho, e não de crença. A crença é assunto da mente, já a fé, fala ao coração e à alma.

Malu Pedarcini

Ela

ELA...
Uma mulher...
Uma menina...
Com sonhos,
Tantos...
Que às vezes parecem transbordar e ultrapassam suas pequenas medidas
Atingem uma dimensão não mensurada
ELA...
Quer abraçar o mundo...
Viver fantasias
Acalenta dentro de si... o infinito
ELA...
Quando ri, sua risada é sonora... clara...cristalina
Logo se transforma em gargalhada
ELA
Quer viver e deixar viver
Quer amar, sem traumas...
Sem censuras.
ELA...
Uma menina...
Uma mulher...

Malu Pedarcini

domingo, 12 de setembro de 2010

Aguardando o embarque


Silene, Paulo César e eu, no aeroporto de Guarulhos, aguardando o embarque para Atenas - setembro de 1998.

Celebridade meteórica


Essa estória de mulher aparecer na mídia por algum fato polêmico e depois virar "celebridade" das revistas masculinas não vem de hoje. Muitos podem não se lembrar de Rosenery Mello, mas com certeza se lembrarão de Rose, a "fogueteira", que em setembro de 1989, no estádio do Maracanã no jogo Brasil e Chile pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1990 causou o maior "perereco". O Brasil jogava pelo empate e o jogo corria tenso. A seleção fez um gol no segundo tempo e aí a torcedora Rose disparou um foguete sinalizador da arquibancada. O tiro caiu perto do goleiro Roberto Rojas que se aproveitou da situação e fez o maior carnaval, inclusive com cenas de sangue no rosto. Os dirigentes chilenos indignados tiraram Rojas e o time de campo. Mais tarde, descobriu-se que Rojas havia se cortado propositalmente com uma lâmina que escondera na luva com a intenção de provocar um tumulto. Por isso, foi banido do futebol. Ah, e Rose? Esta virou capa da revista Playboy e teve os seus 15 minutos de fama.

Malu Pedarcini

Com o astro do tango


Joceli, Sandra e eu, com o astro portenho Fernando Soller, na casa de espetáculos "Tango Mio", em Buenos Aires, na Argentina - setembro de 1989.

Biscoitos com gosto de amor

Existem imagens que nos acompanham pela vida e ficam gravadas para sempre na nossa memória. Uma das que trago comigo são da minha avó Angela e sua lata de biscoitos. Aquela figura franzina, magrinha, era uma guerreira. Criou nove filhos, sendo oito biológicos e um adotivo.
Lembro-me da sua doçura recebendo os netos em seu quarto para pedir a “bença”. Em retribuição ganhávamos um punhado de biscoitos, daqueles redondos, crocantes, de maisena, que ela tinha estocados à sua cabeceira.
Vovó se foi muito jovem e eu na época, uma garotinha de quatro anos, nunca entendi como alguém podia ter ido embora, assim tão de repente.
Nunca mais comi um biscoito igual os da vovó. Aqueles biscoitos eram especiais, tinham o gosto de amor, de amor de vó.

Malu Pedarcini

sábado, 11 de setembro de 2010

Sob o sol das Alagoas


Passeio de jangada em Pajuçara, Maceió - setembro de 1986.

Ditos populares


Texto publicado no jornal "Gazeta Maringaense" em maio 2009.

Beija-flor

Beija a flor. Beija o mel.
Estática olho.
Lá vem ele de novo.
Teima em beijar, e beijando vai bailando.
Brinca no ar, dançando com asas de pirilampo.
Beija a flor...
Flor de maracujá, flor de laranjeira e tantas quantas encontrar
Bate asas, elétricas, simétricas, buscando a perfeição
Colibri que beija, paira sob o sol
Reflete o brilho da luz
Furtacor , arco-íris colorido
Sulga o néctar
E eu inquieta,
Maravilhada
O vejo no beijo
Ah beija-flor,
por favor, vem beijar!

Malu Pedarcini

Sob o sol cearence


No resort Praia das Fontes, no Ceará - setembro de 1999

Voltando às origens

Árvore "Maria mola" ou "Umbu" - tornou-se símbolo da primeira residência dos imigrantes italianos que provisoriamente se abrigavam debaixo de grandes árvores, às vezes até fazendo escavações sob as raízes - Colônia São Pedro em Bento Gonçalves (RS) - março 2005.

Castro Alves, o poeta da liberdade


"Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar... "

O baiano Antônio Frederico de Castro Alves, Cecéu para a família, desde menino manifesta seus dotes literários. A leitura e a arte da poesia estão em suas veias. Aos treze anos, presencia uma cena que o marcaria para sempre. Vê um escravo sendo castigado no tronco. Tal fato foi decisivo para a incorporação definitiva do negro a sua poesia. Com apenas 15 anos parte para o Rio de Janeiro em companhia de seu irmão Antonio, porém após pouco tempo este se suicida e sozinho passa a frequentar os teatros. Com apenas 16 anos se vê diante de sua maior paixão: a atriz portuguesa Eugênia Câmara, dez anos mais velha que ele. Eugênia teve influência decisiva na vida do poeta, mas acabou por deixá-lo por causa do ciúme doentio que ele nutria por ela. O “poeta dos escravos” viveu intensamente. No fim de junho de 1871, com a saúde bastante debilitada pede que ponham a sua cama perto da janela, para ver o sol. Delira. Num momento de lucidez, ora a Deus: “Dai-me, meu Deus, mais dois anos para escrever tudo o que eu tenho na cabeça.”
Que pena, não deu tempo. Morreu de tuberculose, aos 24 anos, mas deixou um grande legado para a literatura brasileira.

Malu Pedarcini

Pelo interior da Áustria


Na cidadezinha de Mistelbach, no interior da Áustria - 1994

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Se alguém perguntar por mim, diga que fui por aí...

Dom Helder Câmara – um brasileiro “porreta”

 "O verdadeiro cristianismo rejeita a ideia de que uns nascem pobres e outros ricos, e que os pobres devem atribuir a sua pobreza à vontade de Deus."

No dia 27 de agosto fez 11 anos que ele se foi. Teve uma vida plena, dedicada à justiça e aos pobres. Baixinho, franzino, o típico nordestino, porém uma fortaleza quando se tratava de defender os direitos humanos. Combateu o autoritarismo na ditadura militar e usou os meios de comunicação para denunciar as injustiças. Criador da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil pregava uma igreja simples com ênfase na ajuda aos pobres. Por isso sofreu perseguição dos militares e foi acusado de comunista. Taxado de "Arcebispo Vermelho" negaram-lhe o acesso aos meios de comunicação após a decretação do AI5. A mídia foi proibida de divulgar o seu nome e por isso na época ficou desconhecido da opinião pública nacional. Mas isso não arrefeceu os ânimos desse lutador. Fez frequentes viagens ao exterior, onde divulgou amplamente suas ideias e as denúncias de violações de direitos humanos no Brasil. Foi adepto e promotor do movimento de não-violência ativa. Ganhou dezenas de prêmios aqui e no exterior por sua luta a favor dos necessitados. Foi o único brasileiro indicado quatro vezes ao Prêmio Nobel da Paz. Quando se aposentou aos 75 anos foi viver nos fundos de uma igreja em Recife, onde morreu ao 90 anos. Em fevereiro de 2008 foi encaminhado à Congregação para a Causa dos Santos, no Vaticano, o pedido de beatificação de D. Helder pela Comissão Nacional de Presbíteros (CNP), vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Malu Pedarcini

Águas escaldantes


Em Termas do Rio Quente, Goiás, em 1994.

Elomar, o menestrel do sertão

Elomar Figueira Mello, ou simplesmente Elomar, nasceu em 1937 em Vitória da Conquista. Avesso à exposição na mídia mora no sertão, onde tem criação de bodes. Lá nas Barrancas do Rio Gavião, vive feito um ermitão e raramente se apresenta em algum show. Tem formação em Arquitetura, mas foi na música que mostrou todo o seu talento. Esse menestrel moderno ganhou de Vinícius de Moraes o título de Príncipe da Caatinga. Sua música foi influenciada pelos violeiros e cantadores de sua terra natal, mas com o tempo ganhou ares de sofisticação com mistura, entre outras coisas, de influências medievais. Lírico e rústico canta a música do povo, mostrando a cara do Brasil. Cantor dos "Retirantes", poeta de "Os Pobres, os Miseráveis e os Desvalidos", à margem do mundo comercial, pouco conhecido do grande público, diz que odeia a língua inglesa por motivos culturais. Sobre os Estados Unidos é taxativo: “Os valentões americanos só batem em pequenos”. Afirma que só liga a TV para assistir aos noticiários e a previsão do tempo e que pretende acabar a vida morando em uma caverna.
Esse cara que para muitos pode parecer esquisito, estranho e até mesmo extravagante, teve sua obra estudada por alunos da UERJ.  Trovador baiano, grande ser humano, um artista completo, que, por isso mesmo, é mal-compreendido e pouco divulgado. Mas, quem gosta de boa música, com sabor de Brasil, com certeza se apaixonará por Elomar.

Malu Pedarcini

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Santa Branca

Em Santa Branca, São Paulo - janeiro de 2009.

Escolhas

A felicidade é uma aquisição. Devemos lutar por ela, sempre. Independentemente dos problemas que afligem o nosso cotidiano, a nossa passagem pela terra é tão curta, tão efêmera, que sofrer (apesar de sabermos que ninguém está isento do sofrimento) pode nos desgastar e diluir a energia que poderia ser aproveitada em atividades mais gratificantes. Uma constante afirmação tida como “verdade” é que a nossa felicidade está dentro de nós mesmos, que ela não depende de outras pessoas, mas essa afirmação é muito mais abrangente do que sua própria proposição. A felicidade depende sim de cada um de nós, mas cada ser é único e cada qual tem uma necessidade singular de ser feliz. Portanto, cada indivíduo tem uma visão diferente e sabemos que verdades absolutas não existem. Outro dia li algo que dizia que quando iniciamos a nossa jornada rumo ao autoconhecimento devemos estar preparados para os desafios que encontraremos pela frente. Perceber, a cada momento da vida, se estamos verdadeiramente felizes, exige uma consciência sempre alerta sobre nossos reais sentimentos. Este é o caminho mais seguro para que não tenhamos dúvidas quanto às nossas escolhas.

Malu Pedarcini

Independência ou morte

O Monumento à Independência no Parque Independência, no bairro do Ipiranga, em São Paulo, é um marco histórico nacional - julho 2010

Pe – da – ços

São pedaços
Passos
Laços
Compassos.

Canções borbulhantes
Lâminas de aço.

São trevas
Léguas
Tréguas
Selvas.

São caminhos a desvendar...

Malu Pedarcini