Um brinde à vida - Eu e Bia - outubro de 2006.
Espaço destinado as minhas poesias e aos meus textos, às lembranças das muitas viagens que fiz por esse mundo de Deus e fotos, muitas fotos.
domingo, 17 de outubro de 2010
Tratado Geral dos Chatos
Chatos existem desde que o mundo é mundo. Tem aqueles que parecem que nasceram para azucrinar os outros. Pensando nisso o escritor Guilherme Figueiredo elaborou um livro, que como o próprio nome diz, é um verdadeiro tratado sobre o assunto.
“Tratado Geral dos Chatos” foi escrito em 1960 e parafraseando o autor “o chato não permite reconhecimento pelo biótipo, estrutura física ou fácies lombrosiano”.
Portanto, se você quiser conhecer os mais variados tipos de chatos leia o livro e tire suas conclusões.
Em uma linguagem bem-humorada e divertida, Guilherme Figueiredo faz a análise desses indivíduos que se materializam assim, do nada, e nos submetem a todo tipo de chatices.
Na obra, os chatos são classificados de acordo com suas “qualidades chatísticas”, como por exemplo: os pirotécnicos, que usam expressões assim como “Você é quem brilha!” ou “Como vai essa bizarria?”. Também tem os hamletianos, que são aqueles que têm ideia fixa, os ofertantes, que usam frases como “Quando você precisar de uísque me fale que eu dou um jeito” ou “Sou amigo do ministro” e outras coisinhas mais.
Depois de ler “Tratado Geral dos Chatos” você será um expert em identificá-los e com certeza vai se livrar da presença inoportuna dos “chatonildos” de plantão.
Malu Pedarcini
“Tratado Geral dos Chatos” foi escrito em 1960 e parafraseando o autor “o chato não permite reconhecimento pelo biótipo, estrutura física ou fácies lombrosiano”.
Portanto, se você quiser conhecer os mais variados tipos de chatos leia o livro e tire suas conclusões.
Em uma linguagem bem-humorada e divertida, Guilherme Figueiredo faz a análise desses indivíduos que se materializam assim, do nada, e nos submetem a todo tipo de chatices.
Na obra, os chatos são classificados de acordo com suas “qualidades chatísticas”, como por exemplo: os pirotécnicos, que usam expressões assim como “Você é quem brilha!” ou “Como vai essa bizarria?”. Também tem os hamletianos, que são aqueles que têm ideia fixa, os ofertantes, que usam frases como “Quando você precisar de uísque me fale que eu dou um jeito” ou “Sou amigo do ministro” e outras coisinhas mais.
Depois de ler “Tratado Geral dos Chatos” você será um expert em identificá-los e com certeza vai se livrar da presença inoportuna dos “chatonildos” de plantão.
Malu Pedarcini
Cecília, a grande dama das Letras
Mulher de personalidade marcante foi poetisa, pintora, educadora e jornalista. Não conheceu o pai, que morreu três meses antes dela nascer e também pouco conviveu com a mãe, que morreu quando ela tinha apenas três anos. Foi a avó materna que a criou e entre as suas observações do cotidiano dizia que teve uma infância de menina sozinha, sempre na companhia do silêncio e da solidão. Talvez por isso tenha se embrenhado pelo mundo dos livros, com suas histórias e sonhos. Aos 16 anos se formou no magistério e aos 18 publicou o primeiro livro de poesias.
Com 21 anos se casou com o artista plástico português Fernando Correa Dias. Fernando foi o ilustrador de todas as obras da poetisa e pai de suas três filhas, as três Marias: Elvira, Matilde e Fernanda, esta última, atriz.
Na área da educação sobressaiu por suas ideias em favor da modernização e na área política combateu o presidente Getúlio Vargas, a quem chamava de “Sr. Ditador”.
Foi perseguida pela ditadura de Vargas e contratada pelo jornal “A Nação”, foi proibida de escrever artigos sobre o assunto. Cecília promoveu a inauguração da primeira biblioteca infantil do País, o Centro de Cultura Infantil do Pavilhão do Mourisco, no Rio.
Convidada pelo governo português, ela iniciou um período de viagens para o exterior, mas ao voltar, sofreu um grande abalo, pois seu marido cometeu suicídio.
Mais uma vez sozinha e com três filhas para criar ela amplia seus trabalhos e passa a lecionar e escrever para jornais e revistas. Passados cinco anos da morte do marido ela casa-se novamente com o professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.
Com vasta obra literária e poética ganha vários prêmios no Brasil e no exterior.
Aos 63 anos, em 1964, morre, vítima de um câncer. O Brasil perdia ali uma das suas maiores expoentes das letras e da cultura.
Malu Pedarcini
Com 21 anos se casou com o artista plástico português Fernando Correa Dias. Fernando foi o ilustrador de todas as obras da poetisa e pai de suas três filhas, as três Marias: Elvira, Matilde e Fernanda, esta última, atriz.
Na área da educação sobressaiu por suas ideias em favor da modernização e na área política combateu o presidente Getúlio Vargas, a quem chamava de “Sr. Ditador”.
Foi perseguida pela ditadura de Vargas e contratada pelo jornal “A Nação”, foi proibida de escrever artigos sobre o assunto. Cecília promoveu a inauguração da primeira biblioteca infantil do País, o Centro de Cultura Infantil do Pavilhão do Mourisco, no Rio.
Convidada pelo governo português, ela iniciou um período de viagens para o exterior, mas ao voltar, sofreu um grande abalo, pois seu marido cometeu suicídio.
Mais uma vez sozinha e com três filhas para criar ela amplia seus trabalhos e passa a lecionar e escrever para jornais e revistas. Passados cinco anos da morte do marido ela casa-se novamente com o professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.
Com vasta obra literária e poética ganha vários prêmios no Brasil e no exterior.
Aos 63 anos, em 1964, morre, vítima de um câncer. O Brasil perdia ali uma das suas maiores expoentes das letras e da cultura.
Malu Pedarcini
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Comemorando
Comemorando com pizza o aniversário da Rose - na mesa da esquerda para a direita (Augusta, Paulinho, Vânia, eu, Silene, Rubens e Rose) - agosto de 2001.
Onda de ódio
Disseminação de ódio, preconceitos e baixarias de toda a natureza tem imperado pela internet. Coisas absurdas, que dão nojo, vontade de vomitar de tão baixas. E de gente que digamos assim, é "um pouquinho esclarecida". Tal qual a Inquisição, que foi criada para combater o sincretismo praticado por religiosos, como adorar plantas e animais, agora a bola da vez é o aborto. Criaram uma onda terrorista e como uma nuvem de gafanhotos vão destruindo tudo, inclusive a reputação das pessoas. Como na Inquisição, o "condenado" é culpado pelas pestes, terremotos, doenças e miséria social. E um grupo liderado por fascistas se aproveita da ingenuidade e ignorância para difundir ideias radicais, atrasadas e tomam para si a função de "queimar na fogueira" quem ousa ter opinião diferente. Que sociedade é essa, que se diz avançada, sem preconceitos e age como nos primórdios da Idade Média?
Algumas pessoas de má-fé estão agindo nos subterrâneos e se aproveitando para inverterem a ordem natural das coisas. E o povo, como bobo da corte, vai atrás sem perceber que está sendo usado, manipulado, por espertalhões que querem apenas o poder.
É hora de acordar, para depois não reclamar que foi iludido, que se deixou levar pela maré de lama.
Ah, e antes que alguém me acuse de ser favorável a legalização do aborto, saiba que sou contra, porém também sou contra deixar mulheres que praticam o aborto morrerem por falta de cuidados e atendimento.
Malu Pedarcini
Algumas pessoas de má-fé estão agindo nos subterrâneos e se aproveitando para inverterem a ordem natural das coisas. E o povo, como bobo da corte, vai atrás sem perceber que está sendo usado, manipulado, por espertalhões que querem apenas o poder.
É hora de acordar, para depois não reclamar que foi iludido, que se deixou levar pela maré de lama.
Ah, e antes que alguém me acuse de ser favorável a legalização do aborto, saiba que sou contra, porém também sou contra deixar mulheres que praticam o aborto morrerem por falta de cuidados e atendimento.
Malu Pedarcini
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Bituca das Gerais
Para a família ele sempre foi o “Bituca”, menino inteligente, o melhor da sua turma no ginásio. Mas nem por isso pode representar a classe na sua formatura, pois o baile de gala no tradicional Clube Literário Recreativo Trespontano, da cidade mineira de Três Pontas, proibia a entrada de negros em suas dependências. Aquilo foi a morte para o menino negro. Ele que era tão amado pelos pais brancos, não entendia o porquê de ser tão discriminado. Dos pais adotivos que o criaram e dos irmãos disse certa vez: "Sou fascinado pela minha família, acho que eu não poderia ter tido mais amor, educação e liberdade em nenhuma outra família no mundo. Eles moldaram a minha vida.”
A música sempre fez parte da sua vida, porém foi somente em 1967 no 2° Festival Internacional da Canção, que ele consagrou-se definitivamente. Com a música “Travessia” conquistou o segundo lugar e foi aclamado como o melhor intérprete. Ao voltar a Três Pontas, uma surpresa. A prefeitura resolveu homenageá-lo e fez um evento no clube que a vida inteira lhe fechara as portas. Ele relutou em aceitar, mas aconselhado pela mãe compareceu. Entrou altivo, pisando firme no tapete vermelho, e adentrou no lugar que lhe tinha causado tantas tristezas.
Naquele momento o grande cantor e compositor entrou altivo pisando pelo tapete vermelho e passou pela porta que lhe fora fechada, quando era apenas o menino “Bituca”.
A partir daí sua carreira deslanchou e junto com seu parceiro mais fiel, o mineiro Fernando Brant, produziu as mais lindas músicas que alguém pode imaginar.
Malu Pedarcini
A música sempre fez parte da sua vida, porém foi somente em 1967 no 2° Festival Internacional da Canção, que ele consagrou-se definitivamente. Com a música “Travessia” conquistou o segundo lugar e foi aclamado como o melhor intérprete. Ao voltar a Três Pontas, uma surpresa. A prefeitura resolveu homenageá-lo e fez um evento no clube que a vida inteira lhe fechara as portas. Ele relutou em aceitar, mas aconselhado pela mãe compareceu. Entrou altivo, pisando firme no tapete vermelho, e adentrou no lugar que lhe tinha causado tantas tristezas.
Naquele momento o grande cantor e compositor entrou altivo pisando pelo tapete vermelho e passou pela porta que lhe fora fechada, quando era apenas o menino “Bituca”.
A partir daí sua carreira deslanchou e junto com seu parceiro mais fiel, o mineiro Fernando Brant, produziu as mais lindas músicas que alguém pode imaginar.
Malu Pedarcini
O perdão nos liberta
Em 8 de novembro de 1972, Nick Ut, que era correspondente da agência de notícias Associated Press, captou com sua câmera uma imagem que chocou o mundo. Nesta imagem aparecia uma menina de 9 anos, nua e em prantos, com grande parte do corpo com queimaduras de terceiro grau. A menina era Kim Phuc e a guerra era a do Vietnã. Ela sobreviveu e passou por 17 cirurgias e o mais incrível disso tudo é que ela, anos mais tarde, encontrou-se com o capitão John Plummer, oficial que ordenou o bombardeio de sua aldeia. Ao invés de acusá-lo Kim o abraçou e o perdoou e fez uma declaração que serve de exemplo a todos nós.
“A guerra faz com que todos sejamos vítimas. Eu, quando menina, fui vítima, mas ele, que fazia o seu trabalho de soldado, também foi. Tenho dores físicas, mas ele tem dores emocionais, que são piores do que as minhas.”
Kim escolheu o perdão, capitalizou suas antigas feridas de forma positiva. Hoje, viaja pelo mundo em campanha pela paz e é presidente da Fundação Kim Internacional, dedicada a dar assistência a vítimas de conflitos armados.
Malu Pedarcini
“A guerra faz com que todos sejamos vítimas. Eu, quando menina, fui vítima, mas ele, que fazia o seu trabalho de soldado, também foi. Tenho dores físicas, mas ele tem dores emocionais, que são piores do que as minhas.”
Kim escolheu o perdão, capitalizou suas antigas feridas de forma positiva. Hoje, viaja pelo mundo em campanha pela paz e é presidente da Fundação Kim Internacional, dedicada a dar assistência a vítimas de conflitos armados.
Malu Pedarcini
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Em família
Minha sobrinha americana Natália, minha irmã Graça, eu e a amiga Lúcia, no Shopping Cidade, em Maringá - outubro de 2009.
O Amante
Li o livro “O Amante”, de Marguerite Duras, há alguns anos atrás e apesar do tempo ainda guardo comigo passagens desta obra tão real e altamente sensorial.
Ambientado na Indochina (hoje Vietnam), onde a autora nasceu, filha de pais franceses, conta a sua própria história, um relacionamento não aceito pela sociedade e confinado entre quatro paredes. Usando sempre “ele” e “ela”, ao se referir aos personagens principais, a emoção confunde-se com a geografia e parece que o ambiente se torna palpável a medida que a leitura se desenvolve.
Um livro, que todos deveriam ler, pois além de falar do amor inter-racial, durante o imperialismo francês na Indochina, ainda fazemos uma catarse, mergulhando no texto extremamente belo, dessa que é uma das maiores escritoras do século XX.
Malu Pedarcini
Ambientado na Indochina (hoje Vietnam), onde a autora nasceu, filha de pais franceses, conta a sua própria história, um relacionamento não aceito pela sociedade e confinado entre quatro paredes. Usando sempre “ele” e “ela”, ao se referir aos personagens principais, a emoção confunde-se com a geografia e parece que o ambiente se torna palpável a medida que a leitura se desenvolve.
Um livro, que todos deveriam ler, pois além de falar do amor inter-racial, durante o imperialismo francês na Indochina, ainda fazemos uma catarse, mergulhando no texto extremamente belo, dessa que é uma das maiores escritoras do século XX.
Malu Pedarcini
A estrela Dalva
Nasceu Vicentina Paula de Oliveira, nome simples de menina pobre, filha de uma portuguesa e um mulato. Herdou do pai, o alegre Mário de Oliveira, mais conhecido como Mário Carioca, o gosto pela música. Ele era marceneiro, mas nas horas vagas tocava saxofone como ninguém. Desde criança já dava duro na vida, seja ajudando a mãe que fazia salgadinhos para vender ou na labuta da casa, lavando e passando. Aos oito anos perdeu o pai, e a mãe, dona Alice, resolveu se mudar para a capital, São Paulo. Junto com suas três irmãs foi para um orfanato dirigido por irmãs de caridade. Lá teve o primeiro contato com o piano, o órgão e o canto. Mas, em razão de uma séria infecção nos olhos, foi obrigada a sair do orfanato e trabalhar como arrumadeira, como babá e ajudante de cozinha em restaurantes. Mais tarde conseguiu um emprego de faxineira em uma escola de dança onde havia um piano e, dona de uma poderosa voz, iniciou sua carreira. Aquela voz, tão conhecida nos anos 40 e 50, que ia do contralto ao soprano.
Adotou o nome Dalva, por sugestão da mãe e mudou-se com a família para o Rio de Janeiro em 1934, pois na época, a cidade era a capital federal e lá tudo acontecia, inclusive os grandes shows nos cassinos. Lá foi trabalhar como costureira numa fábrica de chinelos. Um dos proprietários da fábrica era Milton Guita, conhecido como Milonguita, diretor da Rádio Ipanema e ela foi convidada para fazer um teste na emissora do patrão.
Foi aprovada e atuou ao lado de estrelas como Noel Rosa, Jararaca e Ratinho, Alvarenga e Ranchinho, Ema D'Ávila, Diamantina Gomes e Antônio Marzullo.
A dupla Preto e Branco veio na sequência. Com o cantor Nilo Chagas e o compositor Herivelto Martins, começou uma das suas fases mais brilhantes. O trio, mais tarde, denominado Trio de Ouro, abriu definitivamente as portas do sucesso para Dalva de Oliveira. Casou-se com Herivelto, com quem teve dois filhos Pery (também cantor) e Ubiratan.
O relacionamento entre eles foi conturbado nos treze anos que durou o casamento. Entre tapas e beijos, viveram juntos até 1949, quando o casamento acabou e o Trio de Ouro se desfez.
Teve outras relações conturbadas, com o argentino Tito Climent, que passou a administrar sua vida, levando-a para o exterior. Cantou até para a rainha da Inglaterra.
Aos 47 anos, um novo amor, Nuno de 19 anos.
Em 1965 uma tragédia viria marcar a vida da cantora. Um acidente, com o saldo de três mortes, e uma grande cicatriz no rosto da estrela Dalva. Mas os tempos eram outros, e já não se ouvia mais a voz da diva nos programas musicais.
Sua vida daria uma novela de folhetim. No final da vida, poucos a reconheceriam andando de ônibus pela cidade.
A rainha da voz que espalhava um rastro de luz, luz da estrela Dalva, deixou de brilhar em agosto de 1972, quando voltou para a sua galáxia.
Malu Pedarcini
Adotou o nome Dalva, por sugestão da mãe e mudou-se com a família para o Rio de Janeiro em 1934, pois na época, a cidade era a capital federal e lá tudo acontecia, inclusive os grandes shows nos cassinos. Lá foi trabalhar como costureira numa fábrica de chinelos. Um dos proprietários da fábrica era Milton Guita, conhecido como Milonguita, diretor da Rádio Ipanema e ela foi convidada para fazer um teste na emissora do patrão.
Foi aprovada e atuou ao lado de estrelas como Noel Rosa, Jararaca e Ratinho, Alvarenga e Ranchinho, Ema D'Ávila, Diamantina Gomes e Antônio Marzullo.
A dupla Preto e Branco veio na sequência. Com o cantor Nilo Chagas e o compositor Herivelto Martins, começou uma das suas fases mais brilhantes. O trio, mais tarde, denominado Trio de Ouro, abriu definitivamente as portas do sucesso para Dalva de Oliveira. Casou-se com Herivelto, com quem teve dois filhos Pery (também cantor) e Ubiratan.
O relacionamento entre eles foi conturbado nos treze anos que durou o casamento. Entre tapas e beijos, viveram juntos até 1949, quando o casamento acabou e o Trio de Ouro se desfez.
Teve outras relações conturbadas, com o argentino Tito Climent, que passou a administrar sua vida, levando-a para o exterior. Cantou até para a rainha da Inglaterra.
Aos 47 anos, um novo amor, Nuno de 19 anos.
Em 1965 uma tragédia viria marcar a vida da cantora. Um acidente, com o saldo de três mortes, e uma grande cicatriz no rosto da estrela Dalva. Mas os tempos eram outros, e já não se ouvia mais a voz da diva nos programas musicais.
Sua vida daria uma novela de folhetim. No final da vida, poucos a reconheceriam andando de ônibus pela cidade.
A rainha da voz que espalhava um rastro de luz, luz da estrela Dalva, deixou de brilhar em agosto de 1972, quando voltou para a sua galáxia.
Malu Pedarcini
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Atitudes
O verdadeiro caráter de um homem se revela nas atitudes, na postura, na coerência frente à vida. O que o diferencia dos outros seres vivos são os sentimentos que carrega dentro de si. Sentimentos esses de amor, solidariedade, fé, esperança e medos também. Porque todos nós temos dúvidas, medos e fantasmas que nos acompanham. Isso não nos enfraquece, pelo contrário, só nos fortalece, pois é conhecendo nossas fragilidades que podemos encontrar as respostas e combater o que nos incomoda.
Malu Pedarcini
Malu Pedarcini
Aprendiz
Sou aprendiz de poeta
Sou aprendiz do amor
Ainda não sei conjugar o verbo amar em todos os tempos
Sei apenas do sentimento
Esse que habita o meu peito
Sei apenas da vontade
Essa que anima meu corpo
Sei apenas da paixão
Essa que incendeia tudo
Mas sei também que o Amor se conjuga em qualquer tempo.
No sol da primavera,
Nas marés de tempestades,
No olhar de uma criança,
No beijo dos amantes,
No encontro de almas.
Esse encontro que gostaria que fosse NOSSO,
Que fosse ETERNO.
Sou aprendiz do amor
Ainda não sei conjugar o verbo amar em todos os tempos
Sei apenas do sentimento
Esse que habita o meu peito
Sei apenas da vontade
Essa que anima meu corpo
Sei apenas da paixão
Essa que incendeia tudo
Mas sei também que o Amor se conjuga em qualquer tempo.
No sol da primavera,
Nas marés de tempestades,
No olhar de uma criança,
No beijo dos amantes,
No encontro de almas.
Esse encontro que gostaria que fosse NOSSO,
Que fosse ETERNO.
Malu Pedarcini
domingo, 10 de outubro de 2010
Quando amamos
É impossível explicar porque nos apaixonamos por alguém. É algo que acontece.
SIMPLESMENTE.
O amor é o domínio do coração, da poesia, do sonho, da imaginação e da paixão. Transcende, ignora conceitos, se entrega, doa, enlouquece.
Quando amamos a vida adquire cores especiais. É impossível não perceber. Os olhos brilham, transpiramos felicidade, libertamo-nos da indiferença. Quando amamos cuidamos, ficamos mais sensíveis, nos sentimos senhores do mundo.
Quando amamos queremos estar perto, tocar, olhar nos olhos, beijar sem pressa e fazer amor demoradamente, amorosamente.
Malu Pedarcini
SIMPLESMENTE.
O amor é o domínio do coração, da poesia, do sonho, da imaginação e da paixão. Transcende, ignora conceitos, se entrega, doa, enlouquece.
Quando amamos a vida adquire cores especiais. É impossível não perceber. Os olhos brilham, transpiramos felicidade, libertamo-nos da indiferença. Quando amamos cuidamos, ficamos mais sensíveis, nos sentimos senhores do mundo.
Quando amamos queremos estar perto, tocar, olhar nos olhos, beijar sem pressa e fazer amor demoradamente, amorosamente.
Malu Pedarcini
Zuzu: mãe coragem
“Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino?
Queria cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar”
(Chico Buarque)
Que canta como dobra um sino?
Queria cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar”
(Chico Buarque)
Talvez ela seja mais conhecida por sua luta do que por sua profissão de estilista. Zuleika Angel Jones representou em vida a imagem de luta, de perseverança. Morreu buscando desmascarar os algozes de seu filho Stuart Angel Jones, eliminado pela ditadura militar de forma cruel. Tudo começou com o sequestro de Stuart, estudante de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ativista do Movimento Revolucionário 8 de Outubro - MR-8, Stuart desapareceu depois de ter sido preso em junho de 1971 por agentes do CISA (Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica). Zuzu saiu em busca do filho nas prisões e nos quarteis. Segundo pessoas que conviveram com Stuart na prisão, entre elas, Alex Polari de Alverga, ele foi arrastado por um jipe pelo pátio interno da Base Aérea do Galeão, com a boca no cano de descarga do veículo. Mais tarde, Alex ouviu os gritos de Stuart - numa cela ao lado - pedindo água e dizendo que ia morrer. Depois, seu corpo foi retirado da cela. Este depoimento de Alex consta do vídeo "Sônia Morta e Viva", produzido e dirigido por Sérgio Waisman, em 1985. Zuzu, como era conhecida, lutou no Brasil e no exterior, para descobrir o destino do corpo de Stuart. Fez de tudo, até protesto usando a moda - "a primeira coleção de moda política da história", usando ao lado dos anjos, as figuras de crucifixos, tanques de guerra, pássaros engaiolados, sol atrás das grades, jipes e quépis. O uso dessas metáforas foi a solução que encontrou para simbolizar, em seu trabalho, a história de seu filho. Zuzu incomodou muita gente poderosa e morreu de uma forma muito suspeita em um acidente automobilístico, em abril de 1976, na Estrada da Gávea, no Rio de Janeiro. O acidente foi refutado à que ela teria dormido no volante, fato contestado anos depois. Até hoje as circunstâncias dessa tragédia não foram esclarecidas. Dias antes ela teria alertado amigos que poderia sofrer um atentado. Zuzu morreu, mas sua atuação corajosa foi essencial para que todos soubessem da existência de tortura e de desaparecidos políticos no país. O corpo de Stuart nunca foi encontrado e anos mais tarde soube-se por um ex-militar que ele teria sido jogado ao mar.
Malu Pedarcini
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Pertinho do mar e do céu
Dunas em Itaúnas, no Espírito Santo - setembro de 1992.
Itaúnas ou Dunas de Itaúnas é uma pequena vila ao norte do Espírito Santo. Fica próxima à divisa com a Bahia e pertence ao município de Conceição da Barra. A Vila de Itaúnas do Espírito Santo é a imagem da tranquilidade, com uma igrejinha na praça, casas simples, pousadas rústicas, poucos carros e uma comida caseira deliciosa.
Dom Casmurro
Desde que foi lançado no ano de 1900, o livro “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, atravessou décadas e continua cativando leitores. A história de Bentinho e Capitu já serviu até de tese de doutorado. Capitu e Bentinho se conhecem desde criança, e enquanto ele tem uma boa situação financeira, ela é de família pobre. A mãe de Bentinho fez a promessa de mandá-lo para o seminário, porém ele consegue demovê-la dessa decisão, pois não tem vocação. Para isso ele conta com o apoio de um amigo, o ex-seminarista Escobar. O tempo passa, ele vai para São Paulo estudar Direito e de volta para o Rio, reencontra Capitu, com quem se casa. Escobar, o amigo, também casa-se com uma amiga de Capitu, Sancha.
Os casais convivem felizes, porém Bentinho e Capitu, não conseguem ter um filho. Após dois anos, ela engravida e nasce Ezequiel, que vai se tornar o motivo do ciúme exagerado de Bentinho, que vê na criança, a cara de Escobar.
Roído pela dúvida, ele inferniza a vida da esposa que não faz nada para que ele pense o contrário. Escobar morre e no enterro, Capitu chora a valer, o que dá a Bentinho a certeza que ela o trai. Desesperado, pensa em dar cabo da vida dela e depois se suicidar, porém resolve enviá-la para fora do país, juntamente com o filho.
Ela morre na Suíça e já adulto Ezequiel volta ao Brasil, mas Bentinho não consegue enxergar nele o seu filho. Assim sem o amor do pai, Ezequiel, que é arqueólogo, parte para o Egito e morre em Jerusalém. Bentinho, então sozinho e triste resolve escrever sua biografia para convencer-se da traição de Capitu e para que todos saibam que ele tinha razão ao renegar Ezequiel.
Mas, a grande pergunta, que todos fazem é: afinal Capitu era a dissimulada que o marido fazia questão de mostrar?
Depende! Afinal, a ambiguidade e dissimulação de Capitu vêm do retrato que Bentinho faz dela. É a visão dele, de homem torturado pelo ciúme, que retrata a mulher. Até a suposta semelhança que ele enxerga no filho e Escobar pode ser uma distorção.
Resumindo, o livro "Dom Casmurro” de Machado de Assis, é um romance com forte densidade psicológica, que prende o leitor do começo até a última página. Diria que todo brasileiro deveria ler pelo menos um livro, deste que é um dos maiores escritores de todos os tempos.
Malu Pedarcini
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Um Pouco de Mim
Sou uma
Sou várias
Sou tantas
Que às vezes até me espanto
Às vezes falo baixinho, outras grito.
Sou frágil, sou forte.
Sou como uma moeda,
duas faces,
contraditória.
Tímida e atrevida.
Um sorriso por fora e uma explosão por dentro.
Minha alma travessa,
atravessa tempo e espaço.
Transborda de paixão.
Voa liberta por campos em flor.
Sou assim...
puro amor, paixão, tesão.
Na boca a vontade...
no corpo o desejo...
de FAZER AMOR!
Malu Pedarcini
Sou várias
Sou tantas
Que às vezes até me espanto
Às vezes falo baixinho, outras grito.
Sou frágil, sou forte.
Sou como uma moeda,
duas faces,
contraditória.
Tímida e atrevida.
Um sorriso por fora e uma explosão por dentro.
Minha alma travessa,
atravessa tempo e espaço.
Transborda de paixão.
Voa liberta por campos em flor.
Sou assim...
puro amor, paixão, tesão.
Na boca a vontade...
no corpo o desejo...
de FAZER AMOR!
Malu Pedarcini
Ariano, o decifrador de brasilidades
Esse mestre das letras, autor de obras-primas como "O Auto da Compadecida" e “Romance d´A Pedra do Reino”, diz que sempre gostou de ler e escreveu seu primeiro conto aos 12 anos. Sua autocrítica dessa primeira obra é severa. “Meu primeiro conto era horroroso. Era uma história de crime e sangue. Era horrível, de uma violência enorme”. Uma irmã mais velha leu o conto e adorou. Confessa: “Já aí comecei a ser incompreendido pela crítica. O conto era péssimo, mas minha irmã achou tão bom que eu não poderia ter escrito”. A partir daí começou a escrever poesias e não parou mais. Este defensor ferrenho da cultura popular, apreciador de almanaques, é um escritor de emblemas, cuja obra não se limita aos textos. Homem de ideias e ideais, defensor entusiasmado da riqueza da cultura popular. E para os que vacilam em relação aos rumos do Brasil, dispara a frase “Se perdermos até a esperança, não há caminho para nós”. Apaixonado pela literatura de cordel justifica dizendo que no folheto tem fundidos três tipos de arte: poesia; artes plásticas na capa, a xilogravura; e a música, porque é cantado, acompanhado por viola ou rabeca. Com 83 anos, bem vividos, Ariano Suassuna esse decifrador de brasilidades, como já foi chamado, é um dos principais preservadores da cultura do país.
Malu Pedarcini
Malu Pedarcini
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Zero grau
Sandra, Aninha, Bia e eu, vestidas à caráter, para enfrentar o frio no Cerro Catedral, em Bariloche, na Argentina - setembro de 1989.
Lugar sagrado
Em Sillustani, no Peru - setembro de 1988.
As Chullpas Sillustani, é uma zona arqueológica, muito interessante localizada em Puno. O complexo arqueológico destaca-se pelas suas gigantescas "chullpas" (espécie de torres de pedra), edificadas por collas e incas, para enterrar os seus mortos. Muitas delas superam os 12 metros de altura e têm um maior diâmetro na parte superior que na base. É um desafio às leis da gravidade e ao equilíbrio.
Toquinho, alma de criança
Ele tem 45 anos de carreira e é um dos maiores compositores do Brasil. Mas não é apenas por isso que sempre fui sua fã não. O encanto vem lá dos idos dos anos 80 quando li um livro chamado "Minha Profissão é Andar", do escritor João Carlos Pecci, que é irmão do compositor e cantor Antonio Pecci Filho, mais conhecido como “Toquinho”.
Pelas páginas do livro conheci o Toquinho irmão e toda a sua generosidade na luta para ajudar João, o irmão mais velho, que é paraplégico desde os 26 anos, por conta de um acidente automobilístico.
Além da alma iluminada, da bondade, também o talento para a música que despertou cedo. Já aos 14 anos tinha aulas de violão e garante que as influências que teve de grandes estrelas como João Gilberto, Elvis Presley, Beatles, foram fundamentais.
Diz ele, “naquela época o rock tinha grandes estrelas. E nós optamos pelo violão de João Gilberto.”
Para Toquinho as décadas de 60/70 foram ricas em termos de criação musical. Porém a ditadura militar com o golpe de 1964 tentou aprisionar a liberdade de expressão e criação dos artistas. Ele tinha 18 anos e declara que o tempo fechou, mas não existia mais volta. Segundo ele, aquela geração estava no auge da criatividade, querendo colocar tudo para fora. Admite, que se naquele período tivessem a idade que têm agora, talvez fossem tomados pela frustração e depressão. Confessa que “Naquela hora fomos fazer, disfarçar, brincar e enganar ‘aqueles caras’. Acabamos passando por tudo e dando certo, cada um à sua maneira”.
Depois veio a parceria com o “poetinha” Vinícius de Morais e uma fase de muitos sucessos.
Atualmente ele não tem vínculo com nenhuma gravadora e se diz satisfeito com isso. “Não tenho gravadora há uns 20 anos. Foi opção minha. Ganhava mais dinheiro e fazia projetos paralelos com sócios, que sempre gostei de ter, sem esse paternalismo e escravidão da gravadora. Minha liberdade aumentou, ganhei cinco discos de ouro na Itália, utilizando as gravadoras. Elas só servem para lançar seu produto, mais nada. Só acreditam em algo que ouvem e gostam”.
Sua crítica às gravadoras não para aí. Diz ele: “A pirataria está mostrando que você pode vender muito mais barato - eles não pagam direitos autorais, mas mesmo assim daria para (as gravadoras) baixarem os preços.”
Ele que já encantou o mundo com suas músicas, criou aquarelas, magias e sonhos afirma que “A música é um dos nossos patrimônios mais valiosos, a música que o mundo reconhece, feita por uma geração que está por volta dos 60 anos.”
Malu Pedarcini
Pelas páginas do livro conheci o Toquinho irmão e toda a sua generosidade na luta para ajudar João, o irmão mais velho, que é paraplégico desde os 26 anos, por conta de um acidente automobilístico.
Além da alma iluminada, da bondade, também o talento para a música que despertou cedo. Já aos 14 anos tinha aulas de violão e garante que as influências que teve de grandes estrelas como João Gilberto, Elvis Presley, Beatles, foram fundamentais.
Diz ele, “naquela época o rock tinha grandes estrelas. E nós optamos pelo violão de João Gilberto.”
Para Toquinho as décadas de 60/70 foram ricas em termos de criação musical. Porém a ditadura militar com o golpe de 1964 tentou aprisionar a liberdade de expressão e criação dos artistas. Ele tinha 18 anos e declara que o tempo fechou, mas não existia mais volta. Segundo ele, aquela geração estava no auge da criatividade, querendo colocar tudo para fora. Admite, que se naquele período tivessem a idade que têm agora, talvez fossem tomados pela frustração e depressão. Confessa que “Naquela hora fomos fazer, disfarçar, brincar e enganar ‘aqueles caras’. Acabamos passando por tudo e dando certo, cada um à sua maneira”.
Depois veio a parceria com o “poetinha” Vinícius de Morais e uma fase de muitos sucessos.
Atualmente ele não tem vínculo com nenhuma gravadora e se diz satisfeito com isso. “Não tenho gravadora há uns 20 anos. Foi opção minha. Ganhava mais dinheiro e fazia projetos paralelos com sócios, que sempre gostei de ter, sem esse paternalismo e escravidão da gravadora. Minha liberdade aumentou, ganhei cinco discos de ouro na Itália, utilizando as gravadoras. Elas só servem para lançar seu produto, mais nada. Só acreditam em algo que ouvem e gostam”.
Sua crítica às gravadoras não para aí. Diz ele: “A pirataria está mostrando que você pode vender muito mais barato - eles não pagam direitos autorais, mas mesmo assim daria para (as gravadoras) baixarem os preços.”
Ele que já encantou o mundo com suas músicas, criou aquarelas, magias e sonhos afirma que “A música é um dos nossos patrimônios mais valiosos, a música que o mundo reconhece, feita por uma geração que está por volta dos 60 anos.”
Malu Pedarcini
Inés da Minha Alma
“Um homem faz o que pode, uma mulher faz o que o homem não pode.” (Inés Suárez)
Acabei de ler o romance épico “Inés da Minha Alma”, da escritora chilena Isabel Allende. Autora de muitas obras famosas da literatura como “A Casa dos Espíritos” e “De Amor e de Sombra” (ambos viraram filmes de grande sucesso), “Contos de Eva Luna”, “Meu País Inventado”, “Paula” e muitos outros, neste romance Isabel Allende conta a história de Inés Suárez (1507-1580), uma espanhola destemida, que abandonada pelo marido, junta os seus poucos pertences e parte para a América em busca do fujão. Não consegue encontrá-lo, porém conhece Pedro de Valdivia, mestre de campo de Francisco Pizarro e junto dele participa ativamente da fundação do Chile, além de viver um grande amor.
Ficção histórica ambientada na Espanha, Peru e Chile durante o século 16, mostra a trajetória da heroína Inés, uma fortaleza que caminha lado a lado com seu amado Pedro enfrentando todas as adversidades.
Resumindo, o livro é uma história de amor e coragem inesquecíveis, com fatos reais como a vida dos mapuches, espanhóis e incas durante a época da conquista.
De todos os livros de Isabel Allende que já li, este é o que tem a personagem feminina mais densa e forte.
Malu Pedarcini
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Oscar Niemeyer, o gênio da Arquitetura
“A arquitetura tem que ser fácil de explicar”.
Gênio maior da arquitetura brasileira, também reconhecido internacionalmente, sua obra atravessou oceanos e pode ser admirada na Itália, na França, na Argélia, nos Estados Unidos e Alemanha.
Mas foi aqui no Brasil, no País que tanto ama, que nos últimos 70 anos ele se encarregou de projetar as mais belas construções que conhecemos. Suas obras são leves, sinuosas e as curvas são predominantes. Disse certa vez: “Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu País, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo.”
Tem no currículo verdadeiras joias como o Palácio da Alvorada, o Congresso Nacional, a Catedral Metropolitana e o Memorial JK (todos em Brasília), o Complexo da Pampulha com a capela de São Francisco em Belo Horizonte, o Parque do Ibirapuera, o edifício Copan e o Memorial da América Latina em São Paulo, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, o Museu Oscar Niemeyer em Curitiba, a sede da Editora Mondadori, na Itália, a Universidade de Constantine, na Argélia, o Centro Cultural de Le Havre, na França, a Sede do Partido Comunista Francês em Paris e muitas outras preciosidades.
Centenário, completou 102 anos em 15 de dezembro, ainda trabalha diariamente e recentemente ao lhe perguntarem de onde tirava tanta energia, respondeu bem-humorado: “Ah, não tem energia nenhuma. Eu faço projeto sentado”.
Malu Pedarcini
Necessidades
Todos nós temos necessidades que precisam ser atendidas para que possamos viver. Algumas são essenciais como nos alimentarmos, bebermos, termos um teto. Outras são pessoais e atendem mais o lado afetivo e para as quais nem sempre damos a devida importância. São elas: a necessidade de sermos aceitos, de sermos reconhecidos, valorizados, admirados e sobretudo de sermos amados. Quando trazemos essas necessidades à luz da razão encontramos as respostas para as questões mais importantes das nossas vidas. É revelando os nossos desejos e buscando os caminhos que conseguiremos colocar no plano concreto os nossos sonhos e vivermos na plenitude.
Malu Pedarcini
Malu Pedarcini
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Quem sabe faz a hora
Qualquer brasileiro conhece o refrão “...vem vamos embora, que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer...”. Geraldo Vandré, o autor desses versos completou 75 anos há poucos dias (12/09) e vive recluso em um apartamento no centro de São Paulo há anos. Dizem que usa sempre camisa branca, normalmente com símbolos da Força Aérea Brasileira (FAB) e os vastos cabelos brancos causam impressão a quem o vê, magro e almoçando sozinho nos restaurantes do centro da cidade. Talvez “Pra não Dizer que não Falei das Flores” (subtítulos "Caminhando" e "Sexta Coluna") seja a sua música mais lembrada, mas com certeza muitos se lembrarão de “Disparada”, celebrizada por Jair Rodrigues. Tem outras músicas lindas como “Pequeno Concerto que virou Canção”, “Samba em Prelúdio”, “Quem Quiser Encontrar Amor”, “Canção Nordestina” que não são tão divulgadas. E quem lembrará que foi Vandré quem primeiro defendeu uma música de Chico Buarque em um festival? Um dos fatos marcantes de sua carreira foi quando cantou “Sonho de um Carnaval”, do novato Chico, no 1° Festival de Música Popular Brasileira, em 1965. Em 1966 eles se cruzaram novamente quando dividiram o prêmio do Festival da Música Popular Brasileira, pois "A Banda", de Chico, e “Disparada”, de Vandré e Théo de Barros, dividiram a torcida. "A Banda" ganhou no júri, mas o prêmio foi dividido por imposição do próprio Chico. Em 1968, seria a vez de Vandré sair em defesa de Chico – e de Tom Jobim –, diante de milhares de pessoas no Maracanãzinho (jornais da época falam em 30 mil), no Rio de Janeiro. A maioria queria ver “Caminhando” como vencedora da fase nacional do 3° Festival Internacional da Canção, promovido pela TV Globo, e por isso vaiava a decisão do júri, que escolhera “Sabiá”. Neste dia Vandré tomou o microfone e disse emocionado, enquanto a multidão acenava com lenços brancos: “Antônio Carlos Jobim e Chico Buarque de Hollanda merecem o nosso respeito. (...) Pra vocês que continuam pensando que me apóiam vaiando... (...) A vida não se resume em festivais”. Em 1969 teve que fugir do Brasil por causa da ditadura e só voltou em 1973. Correm muitas histórias sobre essa época, até que teve os testículos extirpados, após a realização de um show, por policiais da repressão. O músico, no entanto, nega que tenha sido torturado e diz que só não se apresenta mais porque sua imagem de "Che Guevara Cantor" abafa sua obra. Considerado louco por muitos ele não dá muita bola para as convenções sociais o que teria provocado o seguinte comentário de Luis Nassif “solitário e desconexo, triste como a própria solidão na qual se meteu”. Mas se Vandré sempre buscou a beleza, talvez seja um homem feliz. E talvez a maior ironia do destino seja que em 2006 a canção "Pra não dizer que não falei das flores' foi usada pelo Governo Federal como trilha musical para publicidade de suas Políticas de Educação como o ProUni e o ENEM, sendo executada em um ritmo diferente. Dessa forma, a música que foi um hino contra a ditadura passou a ser usada para publicidade do governo no período democrático.
Malu Pedarcini
Malu Pedarcini
O Morro dos Ventos Uivantes
Lançado em 1847, o Morro dos Ventos Uivantes, é a única obra da escritora britânica Emily Brontë, que morreu precocemente sem ver seu trabalho reconhecido. Ela, no entanto, não precisou de mais, para mais tarde ser conhecida mundialmente. Talvez o livro de Emily seja um dos poucos que retrate o amor e o ódio de forma tão densa e intensa. Uma obra assustadora, que não pode ser enquadrada em nenhum gênero literário. Quando li pela primeira vez me causou uma sensação estranha. Senti medo e atração, sentimentos contraditórios.
Os principais personagens são Heathcliff e Catarina Earnshaw. Heathcliff foi adotado aos sete anos pelo chefe da família Earnshaw. Sua origem é nebulosa e o tratamento amoroso que recebe do pai adotivo deixa o primogênito do clã, Hindley, louco de ciúmes. Cathy, porém se encanta por ele, sentimento que é recíproco. Após a morte dos pais adotivos, Hindley passa a tratá-lo com crueldade e violência e ele se isola no seu sofrimento.
E assim ele vai vivendo, até Cathy, dividida entre o amor e o dinheiro optar por um casamento de conveniência que lhe trará segurança financeira. Magoado Heathcliff parte e conquista sua fortuna pessoal. Ao voltar, e com a morte da amada ao dar a luz, tem início a sua revanche. Recomendo a leitura desse romance onde o amor obsessivo, que perdura além da morte, possui elementos góticos e sobrenaturais e nos faz atravessar a tênue linha do tempo.
Malu Pedarcini
Os principais personagens são Heathcliff e Catarina Earnshaw. Heathcliff foi adotado aos sete anos pelo chefe da família Earnshaw. Sua origem é nebulosa e o tratamento amoroso que recebe do pai adotivo deixa o primogênito do clã, Hindley, louco de ciúmes. Cathy, porém se encanta por ele, sentimento que é recíproco. Após a morte dos pais adotivos, Hindley passa a tratá-lo com crueldade e violência e ele se isola no seu sofrimento.
E assim ele vai vivendo, até Cathy, dividida entre o amor e o dinheiro optar por um casamento de conveniência que lhe trará segurança financeira. Magoado Heathcliff parte e conquista sua fortuna pessoal. Ao voltar, e com a morte da amada ao dar a luz, tem início a sua revanche. Recomendo a leitura desse romance onde o amor obsessivo, que perdura além da morte, possui elementos góticos e sobrenaturais e nos faz atravessar a tênue linha do tempo.
Malu Pedarcini
domingo, 3 de outubro de 2010
Ney, o andrógino
Saiu de casa com apenas 17 anos. O pai, um militar conservador, não aceitava o seu jeito de ser e depois de uma briga feia, com direito a “porradas” e até lance com um revólver, ele ganhou o mundo. Para não morrer de fome se alistou na Aeronáutica e diz dessa época que era muito calado, na dele e por isso teve que brigar muito, delimitar o seu espaço. Foi hippie, artesão e vivia de vender o seu artesanato no bairro de Santa Tereza, no Rio. De lá para o teatro foi um pulo e depois de trabalhar em algumas peças, fez um trabalho com Regina Duarte. Suas participações sempre envolviam a dança e cada vez mais ele foi se especializando e isso lhe foi de grande valia mais tarde, quando se embrenhou no mundo da música. Diz que achava que sua voz tinha algum defeito e quase morreu de vergonha quando um maestro parou o ensaio e disse que aquilo que ele fazia era uma coisa rara, que não-sei-onde castravam as crianças para manter aquele timbre.
E o que o incomodava passou a ser o seu maior bem. E de repente lá pelo início dos anos 70 em uma apresentação no “Fantástico”, aquela figura andrógina, todo maquiado e com roupas estranhas sobressaiu naquele grupo, que tinha mais dois. Os Secos e Molhados estouraram. Da mesma forma que ganharam elogios, foram severamente atacados pela crítica. O Jornal do Brasil, inclusive, nunca fazia citação a sua pessoa, pois achava que ele era um travesti e o jornal não comentava sobre travestis, segundo ele.
Diz que o primeiro a escrachar e mostrar tudo foi o Chacrinha, que fez a maior esbórnia no seu programa. Em 1973, 1974, a banda foi para o México. Diz que lá uns empresários norte-americanos o procuraram, dizendo que a imagem da banda era muito boa, mas que era preciso um som mais pesado, mais rock. Queriam levá-lo para integrar uma nova banda. Recusou na hora, dizendo “Vocês estão loucos?! Estou começando uma carreira no Brasil. Não quero acabar como a Carmen Miranda!”
Meses depois surgiu o Kiss, que copiou muito do figurino e da forma de se apresentar do grupo brasileiro.
Os Secos e Molhados duraram pouco e, talentoso como ele só, partiu para a carreira solo, onde acumula mais e mais sucessos. Realmente, uma voz diferente, como disse aquele maestro um dia. Uma joia rara da MPB.
Malu Pedarcini
E o que o incomodava passou a ser o seu maior bem. E de repente lá pelo início dos anos 70 em uma apresentação no “Fantástico”, aquela figura andrógina, todo maquiado e com roupas estranhas sobressaiu naquele grupo, que tinha mais dois. Os Secos e Molhados estouraram. Da mesma forma que ganharam elogios, foram severamente atacados pela crítica. O Jornal do Brasil, inclusive, nunca fazia citação a sua pessoa, pois achava que ele era um travesti e o jornal não comentava sobre travestis, segundo ele.
Diz que o primeiro a escrachar e mostrar tudo foi o Chacrinha, que fez a maior esbórnia no seu programa. Em 1973, 1974, a banda foi para o México. Diz que lá uns empresários norte-americanos o procuraram, dizendo que a imagem da banda era muito boa, mas que era preciso um som mais pesado, mais rock. Queriam levá-lo para integrar uma nova banda. Recusou na hora, dizendo “Vocês estão loucos?! Estou começando uma carreira no Brasil. Não quero acabar como a Carmen Miranda!”
Meses depois surgiu o Kiss, que copiou muito do figurino e da forma de se apresentar do grupo brasileiro.
Os Secos e Molhados duraram pouco e, talentoso como ele só, partiu para a carreira solo, onde acumula mais e mais sucessos. Realmente, uma voz diferente, como disse aquele maestro um dia. Uma joia rara da MPB.
Malu Pedarcini
Meu Espaço
Não tenho nada
Mas tenho tudo
O dom da vida
A liberdade
Meu bem maior
A amizade.
Eu tenho tudo
Não tenho nada
O meu espaço é o mundo
Minha rota não foi traçada.
Tenho nada, tenho tudo
Trago comigo a vontade
Faço do amor a bandeira
Não sou prisioneira da saudade.
Mas tenho tudo
O dom da vida
A liberdade
Meu bem maior
A amizade.
Eu tenho tudo
Não tenho nada
O meu espaço é o mundo
Minha rota não foi traçada.
Tenho nada, tenho tudo
Trago comigo a vontade
Faço do amor a bandeira
Não sou prisioneira da saudade.
Malu Pedarcini
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Ilha de Hydra
Ilha de Hydra, na Grécia - setembro de 1998.
Darcy Ribeiro - o guerreiro
"Sou um homem de causas. Vivi sempre pregando, lutando, como um cruzado, pelas causas que comovem. Elas são muitas, demais: a salvação dos índios, a escolarização das crianças, a reforma agrária, o socialismo em liberdade, a universidade necessária. Na verdade, somei mais fracassos que vitórias em minhas lutas, mas isso não importa. Horrível seria ter ficado ao lado dos que venceram nessas batalhas."
Ele foi um dos fundadores e o primeiro reitor da Universidade de Brasília. Este homem comprometido com a educação, também era sociólogo e antropólogo dos mais conceituados. Foi ministro da Educação no governo João Goulart e cassado pelo golpe de 1964. Ficou exilado no Uruguai, Chile e Peru onde dava aulas e retornou ao Brasil em 1976. Projetou a Universidade Estadual do Norte Fluminense, a UENF, sediada na cidade de Campos, RJ, voltada para a formação de cientistas. Na década de 80 elegeu-se vice-governador do Estado do Rio de Janeiro e ao lado do governador Leonel Brizola criou e implantou os Centros Integrados de Ensino Público (CIEP). Nos CIEPs as crianças eram assistidas em tempo integral, com atividades recreativas e culturais, além do estudo formal. Em 1990 ganhou as eleições para senador pelo Partido Democrático Trabalhista, o PDT. Foi o relator da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, aprovada no governo Fernando Henrique. Sua ampla bibliografia traz livros sobre os povos indígenas e os povos americanos. Tive meu primeiro contato com ele na universidade ao ler “O processo civilizatório”, que trata das etapas da evolução sócio-cultural e “As Américas e a civilização” que relata o processo de formação e causas do desenvolvimento cultural desigual dos povos americanos. Seus textos estão impregnados de Brasil, seus livros são a radiografia do nosso povo. Fiquei apaixonada por esse homem polêmico, combativo que só foi derrotado pelo câncer em 1997.
Malu Pedarcini
Ele foi um dos fundadores e o primeiro reitor da Universidade de Brasília. Este homem comprometido com a educação, também era sociólogo e antropólogo dos mais conceituados. Foi ministro da Educação no governo João Goulart e cassado pelo golpe de 1964. Ficou exilado no Uruguai, Chile e Peru onde dava aulas e retornou ao Brasil em 1976. Projetou a Universidade Estadual do Norte Fluminense, a UENF, sediada na cidade de Campos, RJ, voltada para a formação de cientistas. Na década de 80 elegeu-se vice-governador do Estado do Rio de Janeiro e ao lado do governador Leonel Brizola criou e implantou os Centros Integrados de Ensino Público (CIEP). Nos CIEPs as crianças eram assistidas em tempo integral, com atividades recreativas e culturais, além do estudo formal. Em 1990 ganhou as eleições para senador pelo Partido Democrático Trabalhista, o PDT. Foi o relator da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, aprovada no governo Fernando Henrique. Sua ampla bibliografia traz livros sobre os povos indígenas e os povos americanos. Tive meu primeiro contato com ele na universidade ao ler “O processo civilizatório”, que trata das etapas da evolução sócio-cultural e “As Américas e a civilização” que relata o processo de formação e causas do desenvolvimento cultural desigual dos povos americanos. Seus textos estão impregnados de Brasil, seus livros são a radiografia do nosso povo. Fiquei apaixonada por esse homem polêmico, combativo que só foi derrotado pelo câncer em 1997.
Malu Pedarcini
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